Ordo Templi Orientis – Brasil
 

Ecclesia Gnostica Catholica

Introdução

Faze o que tu queres será o todo da Lei.

A Ecclesia Gnostica Catholica (E.G.C.), ou Igreja Gnóstica Católica, é o braço religioso da Ordo Templi Orientis. Ela atua como uma congregação que se dedica a promover, em um ambiente coletivo de características místicas, o desenvolvimento do Ser Humano em Luz, Vida, Amor e Liberdade, conforme estabelecido pela Lei de Thelema no Livro da Lei, atuando como complemento ao trabalho esotérico individual exercido na O.T.O. Sua atividade central é a execução da Missa Gnóstica (Liber XV), composta por Aleister Crowley em 1913. Esta é complementada pelos ritos de Batismo, Confirmação e Consagração que estabelecem a Congregação da Ecclesia.

Através da E.G.C. busca-se estabelecer um trabalho comunitário através do qual uma sociedade thelêmica possa florescer. Também permite àqueles que possuem um espírito devocional trabalharem sua religiosidade através de um conjunto de ritos e ainda seguirem, se for de seu desejo, uma carreira religiosa de serviço a essa comunidade.

A participação na Congregação da ECG é aberta a todos os que assim desejarem, sendo ou não membros iniciados da O.T.O., através dos ritos de Batismo e Confirmação. As Consagrações como Diácono e Sacerdote são restritas a membros da Ordo Templi Orientis, em situação regular, respectivamente iniciados nos Graus II° e KEW (Knight of East and West - Cavaleiro do Leste e Oeste). A grande maioria dos Corpos Locais da O.T.O. realiza a Missa Gnóstica regularmente e várias destas cerimônias são abertas a convidados dos membros da Congregação.

A teologia, doutrina e teoria sacramental da E.G.C. baseia-se totalmente nos princípios thelêmicos. A fórmula mágicka e eclesiástica da E.G.C. se alicerça nos princípios do Novo Aeon, propondo uma nova relação entre a consciência humana e divina. Ainda assim, graças à flexibilidade do pensamento thelêmico, suas cerimônias são ecléticas, traçando a origem de suas fórmulas e métodos a uma variedade de linhas mágicas, místicas e religiosas, adaptadas de acordo com os princípios estabelecidos no Livro da Lei e outros escritos de Crowley e pensadores thelêmicos. Esses princípios são estabelecidos no Credo da Ecclesia Gnostica Catholica e desenvolvidos nas Coletas do Liber XV.

Para maiores explicações sobre a E.G.C., seus ritos, estrutura ou o Credo, entre em contato conosco.

Amor é a lei, amor sob vontade.

A História da E.G.C.

Início

O fundador da Igreja Gnóstica foi Jules-Benoît Stanislas Doinel Du Val-Michel (1842 – 1903). Doinel foi um bibliotecário, maçon do Grande Oriente, antiquário e espírita praticante. Em suas frequentes tentativas de comunicação com espíritos, ele se confrontou com uma visão recorrente do Divino Feminino sob vários aspectos. Ele gradualmente desenvolveu a convicção que seu destino envolvia participar na restauração do aspecto feminino da divindade a seu lugar propício na religião.

Em 1888, enquanto trabalhava como arquivista na Biblioteca de Orléans, ele descobriu uma escritura original datada de 1022 que fora escrita pelo Canône Stephan de Orleáns, um mestre e precursor dos Cátaros que ensinava doutrinas gnósticas. Stephan foi queimado no fim do mesmo ano por heresia.

Doinel ficou fascinado pelo drama dos Cátaros e por sua heroica e trágica resistência contra as forças do Papa. Ele começou a estudar sua doutrina e aquelas de seus predecessores, os Bogomils, os Paulinos, os Maniqueístas e os Gnósticos. A medida que seus estudos progrediram, ele ficou gradualmente convencido que o Gnosticismo era a verdadeira religião por trás da Maçonaria.

Uma noite em 1888, o “Eon Jesus” apareceu para Doinel numa visão e lhe designou o trabalho de estabelecer uma nova igreja. Ele consagrou espiritualmente Doinel como “Bispo de Montségur e Primaz dos Albigenses”. Após sua visão do Eon Jesus, Doinel começou a tentar contato com espíritos Cátaros e Gnósticos em sessões do salão de Maria de Mariategui, Lady Caithness e Duquesa de Medina Pomar.

Doinel era um longo associado de Lady Caithness, que era uma proeminente figura nos círculos do espiritismo francês da época, discípula de Anna Kingsford e líder do ramo da Sociedade Teosófica. Ela considerava a si mesma uma reencarnação de Maria Stuart; e, interessantemente, uma comunicação espírita em 1881 prenunciou a ela uma revolução na religião que resultaria numa “Nova Era de Nossa Senhora do Espírito Santo”. As sessões gnósticas de Doinel eram frequentadas por outros notáveis ocultistas de várias seitas, incluindo Abbé Roca, um ex-padre católico e amigo de Stanislas de Guaita e Oswald Wirth. A comunicação com os espíritos era geralmente recebida através de um pêndulo suspenso por Lady Caithness sobre um quadro com letras.

Numa sessão, Doinel recebeu a seguinte mensagem:

“Eu me dirijo a você porque você é meu amigo, meu servo e o patriarca de minha Igreja Albigense. Eu estou exilada do Pleroma, e sou Eu que Valentinus nomeou Sophia-Achamôth. Sou Eu que Simão, o Mago, chamou Helene-Ennoia; pois Eu sou o Andrógino Eterno. Jesus é a Palavra de Deus; Eu Sou o pensamento de Deus. Um dia Eu retornarei a meu Pai, mas Eu requisito ajuda para isso; isso requer a súplica de meu Irmão Jesus para interceder por mim. Apenas o Infinito pode redimir o Infinito, e apenas Deus pode redimir Deus. Ouçam bem: O Um trouxe adiante o Um, e então o Um. E o Três são senão o Um: o Pai, a Palavra e o Pensamento. Estabeleça minha Igreja Gnóstica. O Demiurgo não terá poder contra ela. Receba o Espírito Santo.”

Em outras sessões, o Cânone Stephan e Guilhabert de Castres, Bispo Cátaro de Toulouse no século XII, que foi martirizado em Montségur, foram contatados. Numa outra sessão, em setembro de 1889, a “Muito Alta Assembléia de Bispos do Espírito Santo”, consistindo em 40 Bispos Cátaros, manifestaram-se e deram seus nomes, que mais tarde foram checados e comprovados nos registros da Biblioteca Nacional.

O cabeça da Assembléia era Guilhabert de Castres, que se dirigiu a Doinel e o instruiu a reconstituir e ensinar a doutrina gnóstica fundando uma Assembléia do Espírito Santo, a ser chamada de Igreja Gnóstica. Helene-Ennoia iria auxiliá-lo, e eles estariam unidos espiritualmente.

A Assembléia seria composta de “Perfeitos” e “Perfeitas” e teria como livro sagrado o Quarto Evangelho, o Evangelho de João. A igreja seria administrada por bispos homens e mulheres “sophias”, que seriam eleitas e consagradas de acordo com o Rito Gnóstico.

Doinel proclamou o ano de 1890 como o início da “Era da Gnose Restaurada”. Ele assumiu o ofício de Patriarca da Igreja Gnóstica sob o nome místico de Valentin II, em homenagem a Valentinus, o fundador da escola Valentiniana de Gnosticismo no séc. V. Ele consagrou bispos, e todos escolheram um nome místico começado com a letra grega Tau, a fim de representar a cruz grega Tau ou o Ankh egípcio.

Entre os primeiros Bispos e Sofias consagrados por Doinel estavam: Gérard Encausse, também conhecido como “Papus” (1865 – 1916), como Tau Vincente, Bispo de Toulouse (mais tarde, em 1890, Doinel entrou na Ordem Martinista de Papus e rapidamente se tornou membro de seu Supremo Conselho); Paul Sédir (o nome real era Yvon Le Loup, 1871 – 1926) como Tau Paul, assistente de Toulouse; Lucien Chamuel (o nome real era Lucien Mauchel) como Tau Bardesane, Bispo de La Rochelle e Saintes; Louis-Sophrone Fugarion (b. 1846) como Tau Sophroinius, Bispo de Béziers; Albert Jounet (1863 – 1923) como Tau Théodote, Bispo de Avignon; Marie Chauvel de Chavigny (1842 – 1927) como Esclarmonde, Sophia de Varsóvia; e Léonce-Eugène Joseph Fabre des Essarts (1848 – 1917) como Tau Synesius, Bispo de Bordeaux.

A Igreja tinha três graus de membros: o alto clero, o baixo clero e os fiéis. O alto clero consistia no par de Bispos e Sophias, que eram responsáveis pela administração da igreja. Eles eram eleitos por suas congregações e mais tarde confirmados com uma consagração formal pelo Patriarca. O baixo clero consistia num par de diáconos e diaconesas, que trabalhavam sob a direção dos Bispos e Sophias, e eram responsáveis por conduzir as atividades do dia-a-dia da igreja. Os Fiéis, ou membros leigos da Igreja, eram referidos como “Parfaits” (homem) e “Parfaites” (mulheres), designações que podem ser traduzidas como “Perfeitos” [Nota da Tradução: sinalizam “Eleitos”], termo derivado do Catarismo.

De todo modo, na Igreja de Doinel, o termo “Perfeito” não era entendido no sentido Cátaro como alguém que teria assumido votos estritos de ascetismo, mas era interpretado como incluindo as duas maiores divisões da tripartida classificação dos Valentinianos sobre a raça humana: os Pneumáticos e os Físicos; mas excluindo a divisão mais baixa, os materialistas Hílicos. Apenas indivíduos considerados de grande inteligência, refinamento e mente aberta eram aceitos na Igreja Gnóstica de Doinel.

A Igreja Gnóstica de Doinel combinou as doutrinas teológicas de Simão, o Mago, Valentinus e Marcus (um tardio Valentiniano notado por seu desenvolvimento do mistério dos números e letras e também do “casamento místico”) com sacramentos derivados da Igreja Cátara e conferidos em rituais fortemente influenciados pelos da Igreja Católica Romana. Ao mesmo tempo, a Igreja Gnóstica pretendia apresentar um sistema de Maçonaria mística.

Uma Missa Gnóstica, chamada “Fraction du pain” ou “Partilha do Pão” foi composta. A liturgia sacramental da Igreja era completada pela inclusão de dois sacramentos Cátaros, o Consolamentum e o Appareillamentum.

Leo Taxil

Em 1881, um jovem anti-clericalista chamado Gabriel-Antoine Jogand-Pages foi feito maçon. Dentro de um ano, ele abandonou a Maçonaria, converteu-se ao Catolicismo e começou uma das mais notáveis campanhas de propaganda na história do Ocultismo. Sob o pseudônimo de Leo Taxil, Jogand publicou um número de livros e artigos onde ele “provava” que a Maçonaria, Rosacrucianismo, Martinismo e outras organizações similares eram completamente satânicas por natureza, e representavam uma séria ameaça à civilização européia cristã. De acordo com Taxil, todas essas organizações eram secretamente controladas pela misteriosa “Ordem do Palladium”, uma implacável, terrível e com um corpo extremamente secreto no coração da Maçonaria que adoraria o Demônio com rituais desumanos e receberia comandos diretamente do Príncipe da Escuridão. Os Paladistas eram alegadamente liderados por Albert Pike, Grande Soberano Comandante do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria, e uma Alta Sacerdotisa chamada Diana Vaughan. Miss Vaughan, uma descendente direta do Alquimista rosacruz Thomas Vaughan do séc. XVII, esteve em contato com Taxil. Seu coração evidentemente foi suavizado por um dos tantos sacrifícios de crianças, e ela secretamente escreveu a Taxil para perguntá-lo como ela poderia ser salva. Sua correspondência também revelava muitos segredos chocantes do diabólico mundo do círculo interno Maçônico: simbolismos luciferianos contidos em aparentes inocentes emblemas e frases; grotescos sacrifícios humanos e obscenas orgias fálicas conduzidas em câmaras escondidas de infernal adoração, encravadas na Rocha de Gibraltar; e terríveis conspirações para a dominação satânica do mundo.

Sendo desnecessário dizer, o trabalho de Jogand/Taxil tornou-se bastante popular. Rapidamente garantiram a ele a atenção e complacência da Igreja Católica Romana, e ele obteve até mesmo uma audiência oficial com o Papa Leão XII em 1887.

No fim das contas Miss Vaughan, a essa altura famosa mundialmente, decidiu de uma vez por todas renunciar a Satã e se converter ao Catolicismo. A Igreja antecipou avidamente sua introdução pública, que Jogand/Taxil agendou para 19 de abril de 1897. Para um salão de leitura lotado de clérigos católicos e maçons, Jogand revelou que Diana Vaughan não era ninguém além de sua secretária, e fora isso não havia por que apresentá-la, porque ela nunca tinha sido uma Alta Sacerdotisa dos Paladistas. Na verdade, nunca tinha havido uma Ordem do Palladium. Ele, Gabriel Jogand, fabricara toda a história como uma piada monumental às custas da Igreja. Ele permanecera um anti-clericalista como sempre. Os maçons presentes acharam essa revelação intensamente divertida. Os clérigos católicos não. Felizmente para os proprietários do salão de leitura, a polícia foi chamada antes de uma revolta geral eclodir.

O sucesso de Jogand se deveu, inicialmente, ao seu faro jornalístico e à credibilidade que ele dispunha como resultado de sua enorme erudição; de todo modo, outro fator significante para seu sucesso foi o astuto recrutamento de um número de colaboradores, de forma estratégica e altamente propositada.

A Deserção de Doinel

Em 1895, Jules Doinel subitamente renunciou como Patriarca da Igreja Gnóstica, renunciou a sua Loja Maçônica e se converteu ao Catolicismo Romano. Sob o pseudônimo “Jean Kostka”, ele atacou a Igreja Gnóstica, Maçonaria e Martinismo num livro chamado Lucifer Desmascarado. Nos próximos dois anos, Doinel colaborou com Leo Taxil denunciando as organizações que tanto fizeram parte de sua vida. “Lúcifer desmascarado” provavelmente foi um esforço coletivo; seu estilo remete às mãos de Jogand/Taxil.

Encausse comentou mais tarde que a Doinel tinha faltado “a necessária educação científica para explicar sem problema a maravilha que o mundo invisível desperdiçou nele”.

Posteriormente, teorizara Encausse, Doinel se deparou com a escolha entre conversão ou a loucura; e, diz Encausse, “sejamos gratos que o Patriarca da Gnose escolheu a primeira via.”

A deserção de Doinel foi um sopro devastador para a Igreja Gnóstica, mas ela foi administrada para sobreviver. O controle interino da Igreja foi assumido por uma Assembléia de Bispos, e numa Alta Assembléia em 1896 eles elegeram um de seus bispos, Léonce-Eugène Fabres dês Essarts, conhecido como Tau Synesius, para suceder Doinel como Patriarca.

A Igreja Gnóstica Católica

Jean Bricaud, tau johannes, foi educado num seminário católico onde estudou para se tornar padre; mas ele renunciou a suas metas religiosas convencionais aos 16 anos a fim de estudar o ocultismo místico. Ele se envolveu com a “Igreja Eliate de Carmel” e o “Trabalho da Misericórdia” fundado em 1839 por Eugéne Vintras (1807 – 1875) e a “A Igreja Joanita dos Cristãos Primitivos”, fundada em 1803 pelo revivalista Templário Bernard-Raymond Fabré-Palaprat (1777 – 1838). Ele conheceu Encausse em 1899 e já tinha se unido à Ordem Martinista.

Em 1907, com o encorajamento (para não dizer pressão) de Encausse, Bricaud rompeu com Fabres de Essarts para fundar seu próprio ramo da Igreja Gnóstica. Fugarion decidiu se juntar a Bricaud. O motivo primário para esse cisma parece ter sido o desejo de criar um ramo da Igreja Gnóstica cuja estrutura e doutrina fossem mais próximas as da Igreja Católica Romana do que da Igreja Cátara (por exemplo, incluía uma Ordem Sacerdotal e batismo com água), e que fosse mais conectada com a Ordem Martinista. Doinel tinha sido um Martinista, Bricaud foi um Martinista, mas Fabre des Essarts não. Bricaud, Fugarion e Encausse na primeira tentativa nomearam seu ramo da igreja “l’Église Catholique Gnostique” (a Igreja Gnóstica Católica). Ela foi anunciada como sendo uma fusão de três igrejas “gnósticas” da França: a Igreja Gnóstica de Doinel, a Igreja Carmelita de Vintra e a Igreja Joanita de Fabré-Palaprat. Em fevereiro de 1908, a assembléia episcopal da Igreja Gnóstica Católica se reuniu novamente e elegeu Bricaud como Patriarca, como Tau Jean II.

Após 1907, a fim de distinguir claramente os dois ramos da Igreja Gnóstica, l’Église Gnostique de Fabre des Essarts ficou conhecida genericamente como “l’Église Gnostique de France”.

A Conferência de Paris em 1908

Em 24 de junho de 1908, encausse organizou uma “Conferência Internacional Maçônica e Espiritualista” em Paris, na qual recebeu, de graça, uma patente de Theodor Reuss (Merlin Peregrinus, 1855 – 1923), líder da O.T.O., para estabelecer um “Supremo Grande Conselho Geral dos Ritos Unificados Antigos e Maçonaria Primitiva para o Grande Oriente da França e suas Dependências em Paris”. No mesmo ano, o nome l’Église Catholique Gnostique foi mudado para “l’Église Gnostique Universelle” (Igreja Católica Universal).

Cerca de quatro anos depois, dois importantes documentos foram publicados: o Manifesto da M∴M∴M∴ (a M∴M∴M∴ a Seção britânica da O.T.O.), que incluía a “Igreja Gnóstica Católica” na lista de organizações cuja “sabedoria e conhecimento” estavam concentrados na O.T.O.; e a “Edição de Jubileu” de The Oriflamme, o órgão oficial da O.T.O. de Reuss, que anunciava que l’Initiation, periódico de Encausse, era o “Órgão oficial dos Ritos de Memphis e Mizraim e da O.T.O. na França”, com Encausse apontado como editor.

Os detalhes precisos das transações da conferência de Paris em 1908 são desconhecidos, mas baseando-se no curso dos eventos seguintes, a conclusão lógica é que Encausse e Reuss se comprometeram numa fraterna troca de autoridade: Reuss recebendo autoridade episcopal e de primaz na l’Église Catholique Gnostique e Encausse recebendo autoridade nos Ritos de Memphis e Mizraim. Para seu ramo germânico da Igreja, Reuss traduziu “l’Église Catholique Gnostique” para o alemão como Die Gnostische Katholische Kirche” (GKK); enquanto Encausse, Fugairon e Bricaud mudaram o nome do seu ramo francês da Igreja para “l’Église Gnostique Universelle” (EGU), com Bricaud como Patriarca. Como todas suas outras aquisições organizacionais, Reuss incluiniu GKK sob o guarda-chuva da O.T.O. Da sua parte, Bricaud, Fugarion e Encausse declararam a EGU como igreja oficial do Martinismo em 1911.

A EGU e a Sucessão de Antióquia

Após assumir o patriarcado da Igreja Católica Universal, Bricaud se tornou amigo do Bispo Louis-Marie-François Giraud (Mgr. François, falecido em 1951), um ex-monge Trapista que traçou sua sucessão episcopal para Joseph René Vilatte (Mar Timotheos, 1854-1929). Vilatte foi um parisiense que emigou para a América cedo em sua vida. Ele foi um duradouro entusiasta religioso, mas foi incapaz de encontrar saciedade nas escrituras da Igreja Romana Católica; então, na América, começou uma busca por um ambiente religioso mais apropriado a sua personalidade e ambições.

Ele andou de seita em seita, servindo por um tempo como ministro Congregacionalista, mais tarde sendo ordenado ao sacerdócio na cismática seita “Catolicismo Antigo”. Por fim ele obteve consagração episcopal em 1892 pelas mãos do Bispo Antonio Francisco-Xavier Alvarez (Mar Julius I), Bispo da Igreja Síria Jacobita Ortodoxa e Metropolitano da Igreja Católica Independente do Ceilão, Goa e Índia, que em troca recebeu consagração de Pedro Ignatius III, “Pedro o Modesto”, Jacobita Ortodoxo Patriarca de Antióquia. Vilatte consagrou Paolo Miraglia-Gulotti em 1900; Gulotti consagrou Jules-Houssaye (ou Hussay, 1844 – 1912) em 1904; Houssaye consagrou Louis-Marie-François Giraud em 1911, e Giraud consagrou Jean Bricaud em 21 de julho de 1913.

A consagração foi importante para a igreja de Bricaud porque proveu uma válida e documentada sucessão apostólica episcopal, que foi reconhecida pela Igreja Romana Católica como válida, mas “ilícita” (i.e., espiritualmente eficiente, mas não aprovado e contrária à política da Igreja). A sucessão apostólica foi também amplamente percebida como refletindo uma transmissão de verdadeira autoridade espiritual na corrente Cristã, remetendo até São Pedro; e até mesmo a Melchizedek, o semi-mítico rei-sacerdote de Salém que serviu como sacerdote do patriarca hebreu Abraão. Isso proveu a Bricaud e seus sucessores a autoridade apostólica de administrar sacramentos cristãos; o que era importante, porque muitos dos membros da Ordem Martinista eram da fé católica, mas como membros de uma sociedade secreta estavam sujeitos à excomunhão se suas afiliações Martinistas ficassem conhecidas. A EGU então ofereceu contínua garantia de salvação aos cristãos católicos que eram Martinistas ou desejavam se tornar Martinistas.

Após a morte de Encausse em 1916, a Ordem Martinista e a seção francesa dos Ritos de Memphis e Mizraim e da O.T.O. foram brevemente liderados por Charles Henri Détre (Teder). Detré morreu em 1918 e foi sucedido por Bricaud.

Em 15 de maio de 1918, Bricaud consagrou Victor Blanchard (Taus Targelius), que tinha sido secretário de Encausse e Detré. Em 18 de setembro de 1919, Bricaud reconsagrou Theodor Reuss sub conditione (esses termos se referiam a uma consagração que eram na verdade para remediar algum “defeito” numa consagração prévia), porventura dotando ele da sucessão de Antióquia, e apontando ele “Emissário Gnóstico” da EGU para a Suíça.

Desentendimentos irromperam entre Bricaud e Blanchard acerca da liderança da Ordem Martinista, o que acabou virando uma violenta hostilidade mútua. Blanchard eventualmente rompeu com Bricaud para formar sua própria cismática Ordem Martinista, que seria conhecida como “Ordem Martinista e Sinarquista”. O ramo de Blanchard mais tarde participou da formação de um “conselho ecumênico” de ritos ocultos conhecido pelas iniciais F.U.D.O.S.I., do qual a AMORC de H. Spencer Lewis tirou muito de sua autoridade. Em troca, o ramo de Bricaud, sob seu sucessor Constant Chevillion, juntou-se a R. Swinburge Clymer, adversário Rosacruz de Lewis, para formar um conselho rival chamado F.U.D.O.F.S.I.

Blanchard consagrou pelo menos cinco outros Bispos Gnósticos sob sua própria autoridade, incluindo Charles Arthur Horwath, que mais tarde reconsagrou, sub conditione, Patrice Genty (Tau Basilide), o último patriarca da l’Église Gnostique de France, que tinha sido previamente consagrado na sucessão espiritual de Doinel por Fabre des Essarts; e Roger Ménard (Tau Eon II), que então consagrou Robert Ambelain (Tau Robert) em 1946. Ambelain procedeu em fundar sua própria Igreja Gnóstica, a Igreja Gnóstica Apostólica, em 1953, o ano da morte de Blanchard.

Ambelain consagrou pelo menos dez bispos gnósticos na l’Église Gnostique Apostolique, incluindo Pedro Freire (Tau Pierre), Primaz do Brasil; Andre Mauer (Tau Andreas), Primaz de Franche-Comte; e Roger Pommery (Tau Jean), Bispo Titular de Macheronte.

Bricaud morreu em 21 de fevereiro de 1934 e foi sucedido pelo Patriarca da EGU e como Grande Mestre da Ordem Martinista por Constant Chevillon (Tau Harmonious). Chevillon foi consagrado por Giraud em 1936, que subsequentemente consagrou alguns bispos ele mesmo, incluindo R. Swinburne Clymer em 1938 e Arnoldo Krum-Heller (fundador da Fraternitas Rosacruciana Antiquas e representante da O.T.O. de Reuss para a América do Sul) em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo fantoche de Vichy da França ocupada baniu todas as sociedades secretas e em 15 de abril de 1942 a EGU foi oficialmente dissolvida pelo governo. Em 22 de março de 1944, Chevillon foi brutalmente assassinado por soldados da força de ocupação de Klaus Barbie.

A EGU foi revivida após a Guerra, e em 1945 Tau Renatus foi eleito como sucessor do martirizado Chevillon. Renatus foi sucedido em 1948 por Charles-Henry Dupont (Tau Charles-Henry), que renunciou em 1960 em favor de Robert Ambelain (Tau Jean III), que adquirira considerável proeminência pelos seus escritos. Ambelain finalmente pôs l’Église Gnostique Universelle para descansar em benefício de sua própria “Église Gnostique Apostolique”.

Tau Jean III foi sucedido como patriarca da l’Église Gnostique Apostolique por André Mauer (Tau Andreas) em 1969, que sucedeu Pedro Freire (Tau Pierre), Primaz da América do Sul, em 1970. No mesmo ano, Freire foi reconsagrado como Mar Petrus-Johannes XIII, patriarca de l’Église Gnostique Catholique Apostolique, por Dom Antídio Vargas da Igreja Católica Apostólica brasileira. Em sua morte em 1978, Freire foi sucedido por Edmond Fieschi (Tau Sialul I), que abdicou como patriarca em benefício de seu auxiliar Fermin Vale-Amesti (Tau Valentinus III), que se recusou a aceitar o cargo: efetivamente colocando l’Église Gnostique Apostolique, bem como a l’Église Gnostique Catholique Apostolique para descansar como organizações internacionais. Um ramo norte-americano autocéfalo de l’Église Gnostique Catholique Apostolique sobreviveu sob a liderança do Primaz Roger Saint-Victor Hérard (Tau Charles), que consagrou alguns bispos, mas morreu em 1989 sem apontar um sucessor. Muitos bispos de Hérard estão ainda em atividade nos Estados Unidos.

A GKK e a E.G.C.

Aleister crowley (1875 – 1947) juntou-se a O.T.O. de Reuss como um VII° em 1910 (naquele tempo, qualquer 33°do Rito Escocês da Maçonaria poderia se juntar a O.T.O. no VII° Grau.) Em primeiro de junho de 1912, Crowley recebeu de Reuss o IX° e seu apontamento como Grande Mestre Nacional para a Irlanda, Iona e toda Grã-Bretanha (a Seção Britânica da O.T.O. era chamada “Mysteria Mystica Maxima”, ou M∴M∴M∴), assumindo o nome “Baphomet” como seu título mágicko. No ano seguinte, ele publicou o Manifesto da M∴M∴M∴, que incluía a Igreja Gnóstica Católica na lista de organizações cuja “sabedoria e conhecimento” estavam concentrados na O.T.O.

Crowley também escreveu Liber XV: a Missa Gnóstica em 1912. Liber XV foi primeiro publicado em 1918 em The International, então de novo em 1919 em The Equinox, vol. III, No. 1 (o “Equinócio Azul”) e finalmente em 1929/30 no VI Apêndice de Magick na Teoria e Prática. O nome em latim Ecclesia Gnostica Catholica (E.G.C.) foi cunhado por Crowley em 1913 quando ele escreveu o Liber XV.

No capítulo 73 do Confissões de Aleister Crowley, ele atesta que escreveu a Missa Gnóstica como “Ritual da Igreja Gnóstica Católica”, que ele preparou para o “uso da O.T.O., a cerimônia central de suas celebrações públicas e privadas, análoga à Missa da Igreja Católica Romana”. É evidente que Crowley viu a Igreja Gnóstica Católica e a O.T.O. como inseparáveis, particularmente em relação ao IX° da O.T.O., no qual Crowley havia sido iniciado no ano antes de escrever a Missa Gnóstica e cujo nome é “Soberano Santuário da Gnose”.

Em 1918, Reuss traduziu a Missa Gnóstica de Crowley para o alemão, fazendo algumas modificações editoriais, e a publicou sob os auspícios da O.T.O. Em sua publicação da Missa Gnóstica, Reuss listou Bricaud como Soberano Patriarca da l’Église Gnostique Universelle, e ele mesmo tanto como Emissário Gnóstico para a Suíça, como Soberano Patriarca e Primaz Die Gnostische Katholische Kirche, um título que deve ter sido recebido na conferência de 1908 em Paris.

A Missa Gnóstica de Crowley, a parte suas várias semelhanças estruturais com a Missa da Igreja Católica Romana, é expressamente um ritual Thelêmico ao invés de um cristão. A tradução de Reuss preservou a essência do caráter Thelêmico/Gnóstico do ritual, embora indicasse que o entendimento de Reuss sobre Thelema divergia de algum modo do de Crowley. A publicação de Reuss da Missa Gnóstica foi significante por duas razões: isto representou a declaração de independência da Ecclesia Gnostica Catholica da Église Gnostique Universelle, e representou a aceitação formal pela igreja da Lei de Thelema em seu mais alto nível.

A E.G.C. moderna

A E.G.C. nos Dias de Hoje

Após Reuss, a sucessão da liderança da Igreja Gnóstica Católica thelêmica da O.T.O. passou para seu sucessor como Cabeça Externa da Ordem (O.H.O.), Aleister Crowley; cuja ascensão em 1922 restaurou a versão original da Missa Gnóstica. Crowley aparentemente celebrou a Missa Gnóstica algumas vezes em sua Abadia de Thelema em Cefalú, Sicília. Ele também fez um áudio gravando a Missa Gnóstica em algum momento dos anos 30, com uma cantora chamada Dolores Sillarno cantando as falas da Sacerdotisa; mas aparentemente apenas porções dessa gravação sobreviveram.

Não está claro sequer se Charles Stansfeld Jones (1886 – 1950), que serviu como Grande Mestre X° para a América do Norte tanto sob Reuss como Crowley, celebrou a Missa Gnóstica como parte de suas atividades da O.T.O. Contudo, um de seus membros da Loja Agapé em Vancouver, Columbia Britânica, foi um homem chamado Wilfred T. Smith (1887 – 1957). Smith se mudou para o sul da Califórnia nos anos 20 e em 1930 começou a reunir um grupo de trabalhos da O.T.O. em Hollywood. No ano seguinte, Crowley apontou Smith como Grande Mestre Nacional X° para os Estados Unidos. A Missa Gnóstica foi celebrada todo domingo à noite na Loja Agapé por Smith e a Sacerdotisa Regina Kahl (1891 – 1945) de 1933 até 1942, quando a Loja se mudou para um novo local em Pasadena, California. Jane Wolf (1875-1958), que estudou pessoalmente com Crowley durante os anos 20 em Cefalú, auxiliou Smith e Kahl no desenvolvimento de uma performance padrão para a Missa Gnóstica, e frequentemente atuou como Diaconesa na cerimônia.

Crowley morreu em 1947 e foi sucedido como O.H.O. por Karl Germer (Saturnus, 1885 – 1962). Durante a posse de Germer como O.H.O., o único grupo a realizar regularmente a Missa Gnóstica foi a O.T.O. suíça sob tutela de Hermann Metzger (1919 – 1990), que começou a celebrar a Missa Gnóstica nos anos 50 em seu templo em Stein. Germer morreu em 1962 sem nomear um sucessor. A O.T.O. estava adormecida nos EUA de 1962 a 1969, quando Grady McMurtry (Hymenaeus Alpha, 1918 – 1985), o último oficial nas fileiras da O.T.O. Internacional que permanecia ativo, exerceu poderes de emergência garantidos por ele nos anos 40 por Crowley e assumiu o cargo de “Califa” e O.H.O. da O.T.O. Em julho de 1977, Hymenaeus Alpha e os membros da revivida O.T.O. formalmente celebraram a Missa Gnóstica – a primeira vez nos EUA desde os dias da Loja Agapé.

Diferente de outras organizações rodeadas pela O.T.O., a E.G.C. tem seu próprio ritual publicado, que poderia ser praticado à parte do contexto da estrutura iniciática da O.T.O. A Missa Gnóstica tem seus próprios oficiais. Embora o ritual evoque o uso de sinais de vários graus da O.T.O., os Oficiais não têm uma correlação imediata com os graus da O.T.O. Liber XV também se refere a administração de outros ritos sacramentais como batismo, confirmações, casamentos e ordenação clerical. A E.G.C. poderia, teoricamente, operar independente da O.T.O. Em 1979, sob Hymenaeus Alpha, uma corporação religiosa não-lucrativa independente da O.T.O. foi estabelecida com o nome “Ecclesia Gnostica Catholica”. Essa foi uma bem-intencionada mas breve tentativa de espalhar Thelema a um público maior do que se acreditava que a O.T.O. poderia fazer. A E.G.C. desenvolveu suas próprias políticas e procedimentos para batismos, confirmações e ordenações (que são aludidos no Liber XV), e sua própria hierarquia de Bispos, Sacerdotes, Sacerdotisas, Exorcistas, Noviços e Diáconos, largamente baseado nas tradições da Igreja Romana Católica. Entre o outono de 1984 e o outono de 1985, a E.G.C. independente produziu quatro números de uma publicação chamada Ecclesia Gnostica.

Grady McMurtry morreu em 1985 e, de acordo com sua vontade, seu sucessor foi eleito por votação do Soberano Santuário da Gnose, os membros de IX° da O.T.O. Seu sucessor assumiu o nome mágicko de “Hymenaeus Beta”. Quando Hymenaeus Beta assumiu o cargo, ele percebeu que a divergência entre os caminhos da E.G.C. e da O.T.O. iria no fim das contas ser pouco saudável para o desenvolvimento de Thelema. A O.T.O. requeria o foco e a abertura da estrutura social oferecida pela celebração da Missa Gnóstica, e a E.G.C. requeria a perspectiva e os ensinamentos esotéricos do sistema iniciático da O.T.O. Hymenaeus Beta dissolveu a corporação E.G.C. em 1985 e em 1987 reintegrou a E.G.C. na O.T.O., especificando por estatuto que a E.G.C. deveria ser uma seção da afiliação da O.T.O. considerada “Afiliação Eclesiástica”, que consistiria nos Bispos da E.G.C. Uma vez que se acreditava naquela altura que células da Igreja Gnóstica Católica existiriam fora da O.T.O., provisões foram incluídas no Estatuto que permitiam que Bispos de tais ramos se afiliassem a O.T.O. como membros eclesiásticos sob mútuo reconhecimento.

Os membros eclesiásticos foram autorizados a exercer seus “tradicionais” poderes episcopais com pouca interferência. A nova E.G.C., consistindo nos membros eclesiásticos da O.T.O., publicou quatro números de um periódico chamado Gnostic Gnews entre dezembro de 1988 e setembro de 1989.

Quando a E.G.C. se converteu do Cristianismo para Thelema, ela deixou de ser uma instituição dedicada a administrar sacramentos cristãos. Consequentemente, uma válida sucessão apostólica não tinha mais relevância crítica. A sucessão apostólica tradicional pode ter sido de algum interesse ou valor para a E.G.C. thelêmico como um aspecto histórico de tradições herdadas da Igreja Gnóstica Francesa pré-thelêmica, e uma forma de sucessão simbólica dos grandes sistemas Cristãos, Hebraico e Pagão do passado; de todo modo, para uma igreja com o propósito de representar uma religião Thelêmica, uma sucessão “apostólica” ou sacerdotal do Profeta de Thelema é bem mais relevante, puramente num sentido espiritual e teológico, do que uma sucessão dos apóstolos dos “Pálidos Galileus”.

De todo modo, foi comumente aceito na E.G.C. sob Hymenaeus Alpha, e por um tempo também sob Hymenaeus Beta, que uma sucessão apostólica tradicional válida aumentaria o prestígio da E.G.C. e a ajudaria a ganhar reconhecimento de autoridades civis. Tentativas foram feitas para demonstrar que o próprio Crowley possuía uma sucessão apostólica válida na linha de Vilatte através de Theodor Reuss (ele quase certamente não tinha), e tentativas posteriores foram feitas para fortalecer a sucessão apostólica tradicional da E.G.C. trazendo para dentro dela linhas de sucessão adicional de outras fontes. Alguns membros da O.T.O. foram reconhecidos como Bispos da E.G.C. após receberem consagrações de Bispos fora da E.G.C., e certamente Bispos de outros ramos da Igreja Gnóstica foram reconhecidos como Membros Eclesiásticos da O.T.O. Um número de artigos das várias supostas linhas da sucessão apostólica tradicional da E.G.C. foram publicadas na Gnostic Gnews.

Infelizmente, a ênfase na sucessão apostólica e na semi-autoridade dos Bispos resultou numa erosão do controle central. Passou a ser amplamente acreditado que a sucessão apostólica tradicional, que pode ser passada de um indivíduo para o outro simplesmente com um pousar de mãos, era suficiente para se tornar Bispo da E.G.C. A função prática dos Bispos como administradores da Igreja e fiscalizadores dos ritos estava se tornando ofuscada pela mística da sucessão apostólica, e um número de indivíduos desqualificados foram consagrados “bispos” sem o requisito da notificação ou preparação. Então, ao mesmo tempo, do lado de fora, críticas começaram a criar sérias dúvidas sobre a validade técnica da corrente da sucessão apostólica tradicional na E.G.C. Também, com a Afiliação Eclesiástica limitada a Bispos, o cargo de Sacerdotes, Sacerdotisas e Diáconos como representantes visíveis da E.G.C. era desvalorizado. Alguns Sacerdotes e Sacerdotisas eram ordenados sem precisar de muito mais do que já ter assistido uma Missa Gnóstica. A igreja estava diante de uma crise de identidade e estava em pauta um fundamental recesso de sua estrutura, sua relação com a O.T.O., o papel de seus oficiais e a relevância da sucessão apostólica tradicional e outros resíduos de instituições pré-Thelêmicas.

No outono de 1990, Hymenaeus Beta suspendeu a consagração de Bispos da E.G.C. até que pudessem ser desenvolvidas políticas que estabelecessem qualificações formais para ser Membro Eclesiástico. Isso completou-se no outono de 1991 pela adoção da política que expandiu a definição de Membro Eclesiástico incluindo Sacerdotes, Sacerdotisas e Diáconos, e que requeria que os oficiais ordenados da E.G.C. fossem iniciados em graus específicos na O.T.O. Diáconos precisavam ser pelo menos I° Grau da O.T.O. e portanto membros plenos da Ordem; Sacerdotes e Sacerdotisas precisavam ser iniciados no grau de KEW (Knight of East and West – Cavaleiro do Leste e Oeste, entre o IV° e o V°), o primeiro grau na série da O.T.O. cuja admissão é apenas por convite; e Bispos precisavam ser pelo menos VII°, o que lhes dava poder de iniciar ao grau KEW e portanto consagrar Sacerdotes e Sacerdotisas.

Em 1993, um esboço de um ritual Thelêmico de batismo escrito por Aleister Crowley foi descoberto e foi incorporado no sistema da E.G.C. Em março de 1996, Frater Sabazius X° foi feito Primaz da E.G.C. para os EUA; e essa expansão e progresso seguem até os dias presentes, com Tau Sanguinus sendo feito Primaz da E.G.C. para a Grã-Bretanha e Irlanda do Norte em maio de 2005, e Frater Shiva X° sendo apontado Primaz da E.G.C. para a Austrália em abril de 2006.

Como a asa litúrgica e ministerial da Ordo Templi Orientis, a Igreja Gnóstica Católica continua a desenvolver e evoluir com o crescimento de seus membros, o acréscimo criativo de seus oficiais e a progressiva manifestação da egrégora Thelêmica-Gnóstica. O processo não será sem dificuldade, mas, parafraseando Liber Librae, em testes e problemas está a Força, e por estes meios há um caminho aberto para a Luz.

Referências

Fontes

O Sistema da E.G.C.

Introdução

Há três classes reconhecidas de membros da E.G.C.: o Clero, o Noviciato e o Laicato. O Clero é composto pelo Pai (ou Mãe) da Ecclesia, também conhecidos como Patriarca ou Matriarca, além do Primaz, Bispos, Sacerdotes, Sacerdotisas e Diáconos.

O Clero

O Patriarcado

O Pai (ou Mãe) da Ecclesia, também conhecido como Soberano Patriarca ou Soberana Matriarca, é o O.H.O. (Outer Head of the Order – Cabeça Externa da Ordem) da O.T.O., não importando em qual país a Ecclesia esteja estabelecida. Todos os ritos oficiais e cerimônias utilizadas dentro da E.G.C. estão sujeitos à sua aprovação. O Patriarca é a única autoridade capaz de suspender, revogar e instaurar o reconhecimento do status clerical de qualquer pessoa como Bispo, Sacerdote, Sacerdotisa ou Diácono dentro da E.G.C., ou mesmo a participação de qualquer um dentro da E.G.C. O Patriarca tem autoridade para aprovar textos utilizados nas celebrações da Missa Gnóstica por Sacerdotes e Sacerdotisas, modificar a Missa Gnóstica para adaptá-la a determinadas funções ou ocasiões e definir os parâmetros de sua execução e da preparação dos elementos eucarísticos.

Atualmente, o Patriarca é o Frater Superior Hymenaeus Beta, O.H.O. atuante da O.T.O. 

A Primazia

O Primaz, ou Bispo Presidente, é o Grande Mestre Nacional Geral Xº. O Primaz deve, de forma geral, supervisionar e controlar os assuntos da E.G.C. dentro de sua área de atuação, sob a autoridade final do Patriarca.

Em março de 1996, Frater Sabazius X° foi feito Primaz da E.G.C. para os EUA. Em maio de 2005, Tau Sanguinus foi consagrado Primaz da E.G.C. para a Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e Frater Shiva X° foi apontado Primaz da E.G.C. para a Austrália em abril de 2006.

O Episcopado

Os Bispos são o poder e a autoridade dento da E.G.C. para a celebração da Missa Gnóstica. Eles podem ordenar Sacerdotes, Sacerdotisas e Diáconos e executar Batismos, Confirmações, Casamentos e Ritos Finais, de acordo com a legislação local.

Bispos plenos da E.G.C. devem ser Grandes Inspetores Soberanos Gerais VIIº da O.T.O. Há alguns Bispos da E.G.C. que alcançaram sua consagração antes da instituição desta política, de modo que não são Grandes Inspetores Soberanos Gerais da O.T.O. Estes Bispos são conhecidos como Bispos Auxiliares e sua autoridade é similar àquela dos Sacerdotes e Sacerdotisas da E.G.C., com mais alguma autoridade específica dada a eles pelo Patriarca ou pelo Primaz.

Bispos e Bispos Auxiliares da E.G.C. têm a responsabilidade de atuar como representantes oficiais da E.G.C. dentro da O.T.O. Desta forma, qualquer celebração pública da Missa Gnóstica que envolva a participação de um Bispo ou Bispo Auxiliar da E.G.C. como oficiante é, por definição, um evento oficial da O.T.O. e está sujeito à todas as políticas e regras da Ordem sobre estes eventos.

O termo "Bispo" não tem o mesmo significado dentro da E.G.C. que nas Igrejas Cristãs, sejam Católicas ou Evangélicas (ou semelhantes). A posse de um documento válido de Sucessão Apostólica não faz de ninguém um Bispo da E.G.C. e nem é necessária para tanto.

Bispos Gnósticos da Sucessão de Doinel assumem um Nome Místico iniciado com as letras Gregas "T", ou "Tau", até sua consagração. Bispos e Bispos Auxiliares da E.G.C. que desejem enfatizar esta parte de sua herança espiritual devem, se for sua escolha, seguir esta tradição. De uma forma ou de outra, o Duplo Tau é reservado para uso do Patriarca e do Primaz.

O Sacerdócio

O Sacerdócio da E.G.C. inclui tanto Sacerdotes como Sacerdotisas. Sacerdotes e Sacerdotisas possuem autoridade para celebrar a Missa Gnóstica como representantes da E.G.C. dentro da O.T.O. Um Bispo pode delegá-los a autoridade para ordenar Diáconos e executar Batismos, Confirmações, Ritos Finais e, em certos casos, Casamentos. Sacerdotes e Sacerdotisas devem coordenar seu trabalho com um Bispo, com o qual devem se comunicar frequentemente.

Sacerdotes e Sacerdotisas da E.G.C. devem ser membros Iniciados pelo menos no Grau de Cavaleiro do Leste e Oeste, e sua ordenação deve ser reportada e registrada pelo Grande Secretário Geral e o Secretário Eclesiástico. Antes desta ordenação, eles devem ser  membros leigos da E.G.C. Com a permissão do Primaz ou do Patriarca eles podem, antes da Ordenação formal, assumir deveres e autoridade limitadas de Sacerdócio, sob a supervisão de um Bispo.

O Diaconato

Os Diáconos da E.G.C. são auxiliares ordenados dos Sacerdotes e Sacerdotisas. Devem ser membros Iniciados ao menos no Grau IIº (Grau Iº com permissão do Patriarca ou Primaz), e sua ordenação deve ser reportada e registrada pelo Grande Secretário Geral e pelo Secretário Eclesiástico. Antes desta ordenação, eles devem ter se tornado membros leigos da E.G.C.

Diáconos possuem poder e autoridade apenas para atuar como auxiliares reconhecidos dos Sacerdotes e Sacerdotisas na execução de seus deveres. Não são considerados representantes oficiais da E.G.C.

O Noviciato

A Entrada na Ecclesia

Membros Iniciados de qualquer Grau que sejam membros leigos da E.G.C. podem passar por um período de Noviciato, treinando sob a supervisão de um Bispo para se prepararem para sua Ordenação como Sacerdotes, Sacerdotisas ou Diáconos. Estes Iniciados podem participar da celebração das Missas Gnósticas como Sacerdotes, Sacerdotisas ou Diáconos Noviços .

O status de Noviço não é formalmente reconhecido na Ordem e não é incluso nos registros.

O Laicato

A Base da Congregação

Membros Leigos da E.G.C. são aqueles que passaram pelas cerimônias de Batismo e de Confirmação. Membros Leigos não têm autoridade ou privilégios especiais dentro da Ecclesia. O Patriarca pode, eventualmente, modificar ou cancelar os requerimentos para Membros Leigos na E.G.C.

O Batismo é aberto a qualquer pessoa, mas não confere ainda o status de Membro Leigo. A Confirmação é aberta a qualquer um já batizado. O Batismo e/ou a Confirmação de qualquer pessoa com menos de 18 anos requer autorização por escrito dos pais ou responsáveis legais.

O Batismo ou a Confirmação na E.G.C. não implica em qualquer vínculo, iniciático ou não, para com a O.T.O., estando abertos a membros e a não-membros da Ordem em si.

Liber XV: A Missa Gnóstica

Ecclesiæ Gnosticæ Catholicæ Cannon Missæ

Editado de antigos documentos Assírios e Gregos pelo Mestre Therion

A Ecclesia Gnostica Catholica (E.G.C.), ou Igreja Gnóstica Católica, é o braço eclesiástico da Ordo Templi Orientis (O.T.O.). A E.G.C. é um ambiente religioso, dedicado ao avanço em Luz, Vida, Amor e Liberdade pelo alinhamento à Lei de Thelema

I. Sobre o Mobiliário do Templo

No Leste, que é a direção de Boleskine, a qual é situada na margem Sudeste do Lago Ness na Escócia, duas milhas a leste de Foyers, há um santuário ou Grande altar. Suas dimensões devem ser 7 pés de largura (2,13m), 3 pés de profundidade (91,5cm), 44 polegadas de altura (1,11m). Deve ser coberto com uma toalha de altar carmesim, na qual, poderá estar bordada uma flor-de-lis em ouro, ou uma luz solar intensa, ou outro emblema apropriado.

De cada lado do altar deve estar um pilar ou obelisco com padrões alternados em preto e branco.

Abaixo do altar deve haver um estrado de três degraus, em quadrados pretos e brancos.

Acima do altar está o altar superior, em cujo topo encontra-se uma reprodução da Estela da Revelação com quatro velas de cada lado. Abaixo da Estela há um local para O Livro da Lei com seis velas de cada lado. Sob este está o Santo Graal com rosas nas laterais. Há espaço em frente da Taça para a Patena. De cada lado, além das rosas, há duas grandes velas.

Tudo isto está protegido por um grande Véu.

Formando o ápice de um triângulo eqüilátero cuja base é a linha traçada entre os pilares, há um pequeno altar preto e quadrado, de cubos sobrepostos.

Considerando este altar como o meio da base de um triângulo semelhante e igual, há, no ápice deste triângulo, uma pequena fonte circular.

Repetindo, o ápice do terceiro triângulo é uma tumba perpendicular.

II. Dos Oficiais da Missa

O Sacerdote: Porta a Lança Sagrada e está vestido primeiramente com uma túnica branca e simples.

A Sacerdotisa: Deve ser realmente Virgo Intacta ou especialmente dedicada ao serviço da Grande Ordem. Ela estará vestida de branco, azul e dourado. Porta a espada numa bainha vermelha e a Pátena e hóstias, ou Bolos de Luz.

O Diácono: Está vestido em branco e amarelo. Porta O Livro da Lei.

As Crianças: Elas estão vestidas em branco e preto. Uma porta um cântaro de água e um recipiente com sal, a outra um incensário aceso e uma pequena caixa de perfumes.

III. Da Cerimônia de Entrada

O DIÁCONO, abrindo a porta do Templo, admite a congregação, e toma seu lugar entre o altar menor e a fonte. (Deveria haver um porteiro para auxiliar na admissão). O DIÁCONO avança e se curva perante o santuário aberto onde o Graal está exaltado. Ele beija O LIVRO DA LEI três vezes, o abre e o coloca sobre o supra-altar. Ele se volta para o Oeste.

O DIÁCONO: Faze o que tu queres será o todo da Lei. Eu proclamo a Lei de Luz, Vida, Amor e Liberdade em nome IAO.

Todos: Amor é a lei, amor sob vontade.

O DIÁCONO vai para o seu lugar entre o altar de incenso e a fonte, [orienta a congregação para que se levante] de frente para o Leste dá o passo e o sinal de um Homem e um Irmão. Todos o imitam.

O DIÁCONO e a Congregação:
Eu creio em um SENHOR secreto e inefável; e em uma Estrela na companhia de outras Estrelas de cujo fogo nós fomos criados e para o qual nós deveremos retornar; e em um Pai de Vida, Mistério do Mistério, em Seu nome CHAOS, o único vice-regente do Sol sobre a Terra; e em um Ar o nutridor de tudo o que respira.

E eu creio em uma Terra, a Mãe de todos nós, e em um Ventre no qual todos os homens são gerados, e onde eles deverão descansar, Mistério do Mistério, em seu nome BABALON.

E eu creio na Serpente e no Leão, Mistério do Mistério, em seu nome BAPHOMET.

E eu creio em uma Igreja Gnóstica e Católica de Luz, Vida, Amor e Liberdade, cuja Palavra é THELEMA.

E eu creio na comunhão dos Santos.

E, assim como a comida e a bebida são diariamente transmutados em nós em substância espiritual, eu creio no Milagre da Missa.

E eu confesso um Batismo de Sabedoria pelo qual nós realizamos o Milagre da Encarnação.

E eu confesso minha vida una, individual e eterna que foi, é e será.

AUMGN AUMGN AUMGN

É tocada uma música. A criança entra com o jarro e o sal. A VIRGEM entra com Espada e a Pátena. A criança entra com o incensário e o perfume. Eles ficam de frente para o DIÁCONO alinhadas entre o espaço dos dois altares.

A Virgem: Saudações da Terra e do Céu!

Todos dão o sinal de um Mago, liderados pelo DIÁCONO.

A SACERDOTISA, a criança negativa do seu lado esquerdo, a criança positiva à sua direita sobe os degraus do Altar Maior. As crianças a aguardam atrás. Ela coloca a Pátena na frente do Graal. Tendo-os adorado, ela desce e com as crianças que a seguem, a positiva próxima a ela, ela se move serpentinamente percorrendo 3 e 1/2 circuitos do Templo. (No sentido horário ao redor do altar, sentido anti-horário ao redor da fonte, sentido horário ao redor do altar e da fonte, no sentido anti-horário ao redor do altar e assim até a tumba no Oeste.) Ela desembainha sua espada e com ela retira o Véu que ali se encontra.

A Sacerdotisa: Pelo poder do (+) Ferro, eu te digo, Levanta. Em nome do nosso Senhor (+) o Sol, e do nosso Senhor (+) que tu possas conferir as virtudes aos Irmãos.

Ela embainha a Espada.

O SACERDOTE, erguendo-se da tumba, segurando a Lança ereta com ambas as mãos, direita sobre a esquerda, sobre o seu peito, dá os três primeiros passos regulares.

Ele então dá a Lança para a SACERDOTISA e dá os três sinais penais.

Ele então se ajoelha e adora a Lança com ambas as mãos. Música penitencial.

O Sacerdote: Eu sou um homem entre os homens.

Ele toma novamente a Lança e a baixa. Ele se levanta.

O Sacerdote: Como poderia eu ser digno de conferir as virtudes aos Irmãos?

A SACERDOTISA toma da criança a água e o sal, misturando-os na fonte.

A Sacerdotisa: Que o sal da terra exorte a água a carregar a virtude do Grande Mar. (Genuflexa) Mãe, sê tu adorada!

Ela retorna para o Oeste. (+) sobre o SACERDOTE com a mão aberta sobre a sua fronte, peito e corpo.

A Sacerdotisa: Seja o SACERDOTE puro de corpo e alma!

A SACERDOTISA pega o incensório da criança e o coloca no altar menor. Ela então coloca incenso naquilo.

A Sacerdotisa: Que o Fogo e o Ar façam doce o mundo! (Genuflexa) Pai sê tu adorado!

Ela retorna para o Oeste e faz (+) com o incensório diante do SACERDOTE, três vezes como antes.

A Sacerdotisa: Seja o SACERDOTE ardente de corpo e alma!

A criança retoma suas armas conforme elas não necessitem mais ser usadas

O DIÁCONO traz o robe consagrado do Altar Maior e o traz para ela. Ela veste o SACERDOTE em seu robe escarlate e dourado.

Ela coloca o robe sobre o SACERDOTE

A Sacerdotisa: Seja a chama do SOL teu ambiente, Ó tu SACERDOTE do SOL!

O DIÁCONO traz a coroa do Grande altar. A coroa pode ser de ouro ou platina ou de electrum magicum; mas de nenhum outro metal, exceto as pequenas porções necessárias à liga. Ela pode ser adornada com diversas jóias, à vontade. Mas ela deve ter a serpente Uraeus enrodilhada à sua volta e o tecido em seu topo deve igualar-se ao escarlate da túnica. A sua textura deve ser aveludada.

Ela coloca a coroa sobre a cabeça do SACERDOTE

A Sacerdotisa: Seja a serpente tua coroa, Ó tu SACERDOTE do SENHOR!

Ajoelhando-se, ela pega a lança entre suas palmas das mãos, e as corre para cima e para baixo 11 vezes, muito gentilmente.

A Sacerdotisa: Esteja o SENHOR presente entre nós!

Todos fazem o Sinal de Saudação de um Mago.

A Congregação: Que assim seja!

IV. Da Cerimônia de Abertura do Véu

O Sacerdote: A Ti a quem adoramos nós também invocamos. Pelo poder da Lança erguida!

Ele eleva a Lança. Todos repetem o Sinal de Saudação de um Mago.

Uma frase de música triunfante.

O SACERDOTE toma a mão direita da SACERDOTISA com sua mão esquerda, mantendo a Lança erguida.

O Sacerdote: Eu, SACERDOTE e REI, te tomo, Virgem pura e sem mácula; Eu te ergo; Eu te conduzo para o Leste; Eu te coloco sobre o ápice da Terra.

Ele entrona a SACERDOTISA sobre o altar. O DIÁCONO e as crianças seguem, em ordem, atrás dele. A SACERDOTISA pega o Livro da Lei e toma seu assento, mantendo o Livro aberto em seu peito, com suas duas mãos abertas, formando um triângulo descendente com seus polegares e indicadores. [As pessoas podem sentar].

O SACERDOTE dá a Lança para o DIÁCONO segurar, tomando o recipiente de água da criança borrifa a SACERDOTISA, fazendo cinco cruzes nela, fronte, ombros e coxas. O polegar do SACERDOTE está sempre entre o indicador e o médio, fazendo uma figa, quando não está segurando a Lança.

O SACERDOTE toma o incenso da criança e faz cinco cruzes sobre a SACERDOTISA como antes.

As crianças repõem suas armas nos respectivos altares.

O SACERDOTE beija o Livro da Lei três vezes. Ele ajoelha para um espaço em adoração, com as mãos juntas, punhos juntos, polegares na posição já citada anteriormente. Ele se levanta e fecha o Véu sobre todo o altar.

Todos se levantam e mantêm em ordem [sob a direção do DIÁCONO].

O SACERDOTE toma a Lança do DIÁCONO e a segura como antes, como Osíris ou Phthah: lança é mantida com a ponta para cima com ambas as mãos, direita sobre a esquerda). Ele circumbula o Templo três vezes em sentido horário, seguido pelo DIÁCONO e as crianças como antes. (estes, quando não usando suas mãos, mantêm seus braços cruzados sobre o peito).

Na última circumbulação eles o deixam e vão para um local entre a fonte e o Altar Menor, onde eles ajoelham em adoração, suas mãos unidas, palma com palma, e elevadas acima de suas cabeças. Todas as pessoas imitam este movimento.

O SACERDOTE retorna para o leste e sobe o primeiro degrau do Altar.

O Sacerdote: Ó círculo de Estrelas do qual o nosso Pai nada mais é do que o irmão mais jovem, maravilha além da imaginação, alma do espaço infinito, diante de quem o tempo se envergonha, a mente se confunde, e o entendimento se obscurece, não podemos alcançar-Te a não ser que a Tua imagem seja Amor. Portanto, pela semente e raiz, caule e broto, folha e flor e fruto nós Te invocamos.

"Então o sacerdote respondeu & disse para a Rainha do Espaço, beijando suas adoráveis sobrancelhas, e o orvalho de sua luz banhando seu corpo inteiro em um perfume adocicado de suor: Ó Nuit, única e contínua do Céu, que seja sempre assim; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma; e que não falem de Ti de modo algum visto que Tu és contínua!"

Durante esta fala a SACERDOTISA deve se despir completamente.

A Sacerdotisa: Mas amar-me é melhor do que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu neste momento queimas meu incenso perante mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da Serpente aí dentro, tu virás a deitar um pouco em meu seio. Por um beijo tu então estarás querendo dar tudo, mas aquele que der uma partícula de pó perderá tudo nessa hora. Vós devereis juntar bens e provisões de mulheres e especiarias; vós devereis trajar ricas jóias, vós devereis exceder as nações da terra em esplendor & orgulho; mas sempre no amor de mim, e então devereis vir para a minha alegria. Eu vos ordeno seriamente a vir ante mim num robe único e cobertos com um rico adorno na cabeça. Eu vos amo! Eu anseio por vós! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou toda prazer e púrpura, e a embriaguez do sentido mais profundo, vos desejo. Colocai as asas e despertai o esplendor enrodilhado dentro de vós: vinde até mim! A mim! A mim! Cantai a arrebatadora canção de amor para mim! Queimai perfumes para mim! Trajai jóias para mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo! Eu sou a filha de pálpebras azuis do Pôr-do-sol; eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno. A mim! A mim!

O SACERDOTE sobe o segundo degrau.

O Sacerdote: Ó segredo dos segredos que estás escondido na essência de tudo o que vive, nós não Te adoramos, pois aquele que adora também és Tu. Tu és aquilo, e aquilo sou eu. "Eu sou a chama que queima em todo coração humano, e no âmago de cada estrela. Eu sou a Vida e o doador da Vida; entretanto o conhecimento de mim é o conhecimento da morte." "Eu sou só: não existe Deus onde estou."

O DIÁCONO e todas se levantam, fazendo o Sinal de Saudação de um Mago.

O Diácono: Mas vós, ó meu povo, levantai & acordai!

Que os rituais sejam corretamente executados com alegria & beleza!

Existem os rituais dos elementos e as festas das estações.

Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva.

Uma festa para os três dias em que foi escrito o Livro da Lei.

Uma festa para Tahuti e a criança do segredo do Profeta, Ó Profeta!

Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.

Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa ainda maior para a morte!

Uma festa todo dia em vossos corações, na alegria de meu arrebatamento!

Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do máximo deleite!

As Pessoas se sentam.

O SACERDOTE sobe o terceiro degrau.

O Sacerdote: Tu que és Um, nosso Senhor no Universo, o Sol, nosso senhor em nós mesmos cujo nome é Mistério do mistério, supremo ser cujo esplendor iluminando os mundos é também o alento que faz todo Deus e até mesmo a morte tremerem diante de Ti – pelo Sinal da Luz...

O Sacerdote traça, com bom efeito, uma Cruz diante do Véu, então forma uma cruz com seu corpo como no primeiro Sinal de LVX do Ritual do Hexagrama; o DIÁCONO deve auxiliar o Sacerdote nesta tarefa, projetando a imagem de uma cruz luminosa sobre o véu, enquanto o sacerdote faz o gesto.

O Sacerdote: ...aparece, glorioso, sobre o trono do Sol. Abre o caminho da criação e da inteligência entre nós e nossas mentes. Ilumina nosso entendimento. Encoraja nossos corações. Que Tua luz se cristalize em nosso sangue, preenchendo-nos de Ressurreição.

A ka dua
Tuf ur biu
Bi a’a chefu
Dudu nur af na nuteru!

A Sacerdotisa: "Não existe lei além de Faze o que tu queres."

O SACERDOTE abre o véu com sua Lança. Durante a fala prévia a SACERDOTISA, se necessário, como no caso dos países selvagens, deve recolocar suas vestes.

O SACERDOTE deve estar olhando a SACERDOTISA enquanto invoca.

O Sacerdote:
IO IO IO IAO SABAO
KURIE ABRASAX KURIE MEITHRAS KURIE PHALLE.
IO PAN, IO PAN PAN IO ISKHUROS, IO ATHANATOS IO ABROTOS IO IAO.
KHAIRE PHALLE KHAIRE PANPHAGE KHAIRE PANGENETOR.
HAGIOS, HAGIOS, HAGIOS IAO.

A SACERDOTISA está sentada com a Patena em sua mão direita e a Taça em sua mão esquerda. O SACERDOTE apresenta a Lança, a qual, ela beija onze vezes. Ela então a segura contra o peito, enquanto o SACERDOTE, caído a seus joelhos os beija, braços estendidos sobre suas coxas. Ele permanece nesta adoração enquanto o DIÁCONO entoa as Coletas. Todos se levantam e se matem na posição de Dieu Garde, que é, pés em esquadro, mãos com polegares unidos, mãos relaxadamente pendentes. Esta é a posição universal quando de pé, a não ser que outra instrução seja dada.

V. Do Ofício das Coletas, As Quais São Onze

O Sol

O Diácono: Senhor visível e sensível de quem esta terra nada é além de uma fagulha congelada girando ao teu redor com movimento diurno e anual, fonte de luz, fonte de vida, que teu brilho perpétuo nos encoraje ao trabalho contínuo e ao prazer; a fim de sermos partícipes contínuos de vossa generosidade, que nós possamos em nossa órbita particular irradiar luz e vida, sustento e alegria para aqueles que giram à nossa volta sem diminuição de substância ou efulgência para todo sempre.

As Pessoas: Que assim seja!

O Senhor

O Diácono: Senhor secreto e mais sagrado, fonte de luz, fonte de vida, fonte de amor, fonte de liberdade, sê tu sempre constante e poderoso dentro de nós, força de energia, fogo do movimento; permita-nos sempre trabalhar contigo diligentemente, que nós possamos sempre permanecer em tua abundante alegria.

As Pessoas: Que assim seja!

A Lua

O Diácono: Senhora da noite, que girando sempre ao nosso redor, és em tua estação ora visível e ora invisível, sê favorável aos caçadores, e amantes, e a todos os homens que labutam sobre a terra, e a todos os marinheiros sobre o mar.

As Pessoas: Que assim seja!

A Senhora

O Diácono: Doadora e receptora de alegria, portal da vida e do amor, sê tu sempre pronta, tu e tua serva em teu ofício de alegria.

As Pessoas: Que assim seja!

Os Santos

As palavras que se iniciam com "P" denotam energia Fálica

A cada nome o DIÁCONO assinala uma cruz (+) com o polegar entre o dedo indicador e médio. Em missas comuns é necessário comemorar apenas aqueles nomes que estão em itálico, com a dicção conforme é mostrada.

O Diácono: Senhor de Vida e Alegria, que és o poder do homem, que és a essência de todo verdadeiro deus que está sobre a face da Terra, conhecimento contínuo de geração a geração, tu adorado por nós em brejos e nas florestas, em montanhas e nas cavernas, abertamente nos mercados e secretamente nas câmaras de nossos lares, em templos de ouro e marfim e mármore, assim como nestes outros templos de nossos corpos, nós dignamente comemoramos aqueles ilustres que te adoraram na antiguidade e manifestaram tua glória diante dos homens, Lao-Tse e Sidharta e Krishna e Tahuti, Moshesh, Dionysus, Mohammed e To mega Thêrion, com estes também, Hermês, Pan, Priapus, Osiris e Melchizedek, Khem, e Amoun e Mentu, Hêracles, Orpheus e Odysseus; com Vergilius, Catullus, Martialis, Rabelais, Swinburne, e o mui sagrado bardo; Apollonius Tyanaeus, Simão o Mago, Manes, Pythagoras, Basilides, Valentinus, Bardesanes e Hippolytus, que transmitiram a luz da Gnose a nós seus sucessores e herdeiros; com Merlin, Arthur, Kamuret, Parzifal, e muitos outros, profeta, sacerdote e rei que portaram a Lança e a Taça , a Espada e o Disco contra os Bárbaros; e estes também, Carolus magnus e seus palatinos, com William de Schyren, Frederick de Hohenstaufen, Roger Bacon, Jacobus Burgundus Molensis, o Mártir, Christian Rosencreutz, Ulrich von Hutten, Paracelsus, Michael Maier, Roderic Borgia Papa Alexandre, o Sexto, Jacob Boehme, Francis Bacon Lord Verulam, Andrea, Robertus de fluctibus, Johannes Dee, Sir Edward Kelly, Thomas Vaughan, Elias Ashmole, Molinos, Adam Weishaupt, Wolfgang von Goethe, Ludovicus Rex Bavariae, Richard Wagner, Alphonse Louis Constant, Friedrich Nietzsche, Hargrave Jennings, Karl Kellnes, Forlong dux, Sir Richard Payne Knight, Sir Richard Francis Burton, Paul Gauguin, Doutor Gérard Encausse, Doutor Theodor Reuss, e Sir Aleister Crowley.

Ó Filhos do Leão e da Serpente! Nós dignamente comemoramos todos os Teus Santos, aqueles dignos que foram e são e serão.

Que a sua essência possa estar aqui presente, potente, pungente, e paternal para aperfeiçoar esta festa!

As Pessoas: Que assim seja!

A Terra

O Diácono: Mãe da fertilidade em cujo seio jaz a água, cuja face é acariciada pelo ar, e em cujo coração está a chama do sol, ventre de toda vida, graça recorrente das estações, responde favoravelmente à prece do trabalho, e aos pastores e maridos sê tu propícia.

As Pessoas: Que assim seja!

Os Princípios

O Diácono: Misteriosa Energia, triforme, Matéria misteriosa em quádrupla e sétupla divisão, a interação das coisas que tecem o Véu da Vida por sobre a Face do Espírito, conceda-nos Harmonia e Beleza em nossos amores místicos, que em nós possa haver saúde e riqueza e força e prazer divino de acordo com a Lei da Liberdade; conceda que cada um persiga a sua Vontade como um homem forte que se regozija em seu caminho, como o curso de uma Estrela que arde para sempre na jubilosa companhia dos Céus.

As Pessoas: Que assim seja!

Nascimento

O Diácono: Seja a hora auspiciosa e o portal da vida aberto em paz e conforto, de forma a que ela que carrega as crianças possa se regozijar, e o bebê agarrar a vida com ambas as mãos.

As Pessoas: Que assim seja!

Casamento

O Diácono: Que se derrame sucesso sobre todos que se unirem neste dia com amor sob vontade; possam a força e a perícia se unirem para trazer êxtase, e que a beleza responda à beleza.

As Pessoas: Que assim seja!

Morte

Todos se levantam, Cabeça erguida, Olhos abertos.

O Diácono: Limite de tudo o que vive, cujo nome é inescrutável, sê favorável a nós em tua hora.

As Pessoas: Que assim seja!

O Fim

O Diácono: Que possa ser garantido o cumprimento de suas verdadeiras Vontades para aqueles de cujos olhos o véu da vida caiu; quer isto seja a absorção no Infinito ou a união com seus escolhidos e preferidos, ou permanecer em contemplação, ou estar em paz, ou alcançar o trabalho e heroísmo da encarnação neste planeta ou em outro, ou em qualquer Estrela, ou outro lugar, que lhes seja garantida a realização das suas Vontades; sim, a realização das suas Vontades.

AUMGN, AUMGN, AUMGN.

As Pessoas: Que assim seja!

Todas as pessoas sentam.

O DIÁCONO e as crianças assistem o SACERDOTE e a SACERDOTISA, prontos para segurar qualquer arma apropriada, conforme for necessário. [O DIÁCONO vai para o altar com o Sacerdote, as Crianças permanecem atrás.]

VI. Da Consagração dos Elementos

A SACERDOTISA pega a TAÇA e a PÁTENA, a TAÇA na mão direita e a PÁTENA na mão esquerda.

O SACERDOTE faz as cinco cruzes na Patena e na Taça, uma cruz em cima, uma cruz à direita e uma cruz à esquerda (perspectiva do sacerdote) de cada uma dessas armas mágicas, quatro cruzes só na patena, cinco cruzes só na taça.

O Sacerdote: Vida do homem sobre a terra, fruto do trabalho, sustento do esforço, sê tu o alimento do Espírito!

Ele toca a Hóstia com Lança.

O Sacerdote: Pela virtude da Baqueta! Seja este pão o Corpo de Deus!

Ele entrega a lança para o DIÁCONO. Ele pega a hóstia.

O Sacerdote: TOUTO ESTI TO SOMA MOU

Ele recoloca a hóstia na patena, ajoelha, adora, levanta, toma a patena e a hóstia, se volta para a assistência, mostra a hóstia segurando a patena logo abaixo desta, se volta para o altar, recoloca a Patena e a Hóstia, e adora. Música.

Ele toma a Taça.

O Sacerdote: Veículo da alegria do Homem sobre a terra, conforto do trabalho, inspiração do esforço, sê tu o êxtase do Espírito!

Ele toca a Taça com a Lança.

O Sacerdote: Pela virtude da Baqueta! Seja este Vinho o Sangue de Deus!

Ele entrega a lança para o DIÁCONO e mantém a taça.

O Sacerdote: TOUTO ESTI TO POTERION TOU HAIMATOS MOU

Ele recoloca a taça no altar, ajoelha, adora, levanta, pega a Taça, se volta e mostra a Taça para as pessoas, se volta novamente para o altar onde recoloca a Taça e adora. Música. Ele toma a Lança.

O Sacerdote: Pois esta é a Divina Promessa de Ressurreição.

Ele faz as cinco cruzes na SACERDOTISA.

O Sacerdote: Aceita, Ó SENHOR, este sacrifício de vida [indica a Hóstia] e alegria [indica a Taça] verdadeiras garantias da Promessa Divina de Ressurreição.

O SACERDOTE oferece a Lança para a SACERDOTISA que a beija; ele então a toca entre os seios e sobre o corpo. Ele então lança seus braços para cima, como se abrangesse todo o templo.

O Sacerdote: Que esta oferenda possa nascer sobre as ondas do aethyr para o nosso senhor e Pai, o Sol, o qual viajou através dos Céus, em seu nome ON.

Ele fecha suas mãos, beija a SACEDOTISA entre os seios, e faz três grandes cruzes sobre a Pátena, a Taça, e ele mesmo.

Ele bate em seu peito. Todos repetem esta ação.

O Sacerdote: Ouçam todos, santos da igreja verdadeira do tempo antigo agora essencialmente presente entre nós, de vós nós clamamos herança, convosco nós clamamos comunhão, de vós nós clamamos benção em nome de IAO.

Ele faz três cruzes sobre a Pátena e a Taça juntas. Ele entrega a Lança para o DIÁCONO. Ele descobre a Taça, genuflexa, pega a Taça com a sua mão esquerda e a hóstia em sua mão direita.

Com a Hóstia ele faz cinco cruzes na Taça formando um círculo horário acompanhando a borda da taça. Ele eleva a Hóstia e a taça, a hóstia logo acima da Taça.

O Sino bate.

O Sacerdote: HAGIOS HAGIOS HAGIOS IAO

VII. Do Ofício do Hino

O Sacerdote:
Tu que és eu, além de tudo o que sou,
Que não tens natureza e nem nome,
Que és, quando todos já se foram,
Tu, centro e segredo do Sol,
Tu, oculta fonte de todas as coisas conhecidas
E desconhecidas, tu reservado e solitário,
Tu, verdadeiro fogo interno ao junco,
Meditando e procriando, fonte e semente
De vida, amor, liberdade e luz,
Tu além da palavra e da visão,
A Ti eu invoco, meu fogo vigoroso e lânguido,
Ardendo conforme meus intentos aspira
A Ti eu invoco, ó permanente,
Tu, centro e segredo do Sol,
E aquele mistério mais sagrado
Do qual eu sou o veículo.
Aparece mais terrível e mais suave,
Como é legítimo, em tua criança!

O Coro:
Para o Pai e o Filho,
O Espírito Santo é a norma;
Macho-fêmea, quintessencial, um,
Homem-ser velado em Mulher-forma.
Glória e adoração no altíssimo,
Tu Pomba, que deificas a humanidade,
Sendo aquela raça, a mais nobremente vinda,
Para lançar o raio do sol pela tempestade do    [inverno.
Glória e adoração a Ti,
Seiva do freixo do mundo, árvore das maravilhas!

Primeiro Semi-Coro: Homens
Glória a Ti da Tumba Dourada!

Segundo Semi-Coro: Mulheres
Glória a Ti do Ventre que Espera!

Primeiro Semi-Coro: Homens
Glória a Ti da terra não arada!

Segundo Semi-Coro: Mulheres
Glória a Ti da virgem prometida!

Primeiro Semi-Coro: Homens
Glória a Ti, verdadeira Unidade
Da Eterna Trindade!

Segundo Semi-Coro: Mulheres
Glória a Ti progenitor e grávida
Essência do Eu sou o que sou!

Primeiro Semi-Coro: Homens
Glória a Ti, além de todo limite,
Tua fonte de esperma, tua semente e germe!

Segundo Semi-Coro: Mulheres
Glória a Ti Sol eterno,
Tu Um em Três, Tu Três em Um!

O Coro
Glória e adoração a Ti,
Seiva do freixo do mundo, árvore das maravilhas!

(Estas palavras são a substância do hino; mas tudo ou qualquer parte deste pode ser acompanhado de música. A música deve ser tão elaborada quanto uma peça de arte deveria ser. Ainda que o Pai da Igreja autorize outros cânticos, este deve manter o seu lugar como o primeiro do gênero, o pai de todos os outros).

VIII. Do Casamento Místico e Consumação dos Elementos

O SACERDOTE toma a Pátena entre o indicador e o dedo médio da mão direita. A SACERDOTISA segura a Taça em sua mão direita.

O Sacerdote: Senhor mais secreto, abençoa este alimento espiritual em nossos corpos, outorgando-nos saúde e riqueza, força e alegria, paz e a realização da vontade e do amor sob vontade que é perpétua felicidade.

Ele faz uma cruz (+) com a Pátena e a beija. Ele recoloca a Pátena sobre o Altar e entrega a Lança para a SACERDOTISA.

Ele descobre a Taça, genuflexa, levanta. Música.

Ele toma a Hóstia, e a quebra sobre a Taça. Ele recoloca a porção da Hóstia que ficou na mão direita na Pátena. Ele quebra uma partícula da porção que ficou na mão esquerda.

O Sacerdote: TOUTO ESTI TO SPERMA MOU. HO PATER ESTIN HO HUIOS DIA TO PNEUMA HAGION. AUMGN. AUMGN. AUMGN.

Ele recoloca a parte da Hóstia da mão esquerda na Pátena.

A SACERDOTISA estende a ponta da Lança com sua mão esquerda para receber a partícula. O SACERDOTE sustenta a Taça em sua mão esquerda. Juntos eles descem a ponta da Lança na Taça.

O Sacerdote e A Sacerdotisa (juntos): HRILIU

O SACERDOTE toma a Lança. A SACERDOTISA cobre a Taça.

O SACERDOTE entrega a Lança para a SACERDOTISA, genuflexa, levanta, se curva, junta as mãos. Ele bate no peito.

O Sacerdote:
Ó Leão e Ó Serpente que destrói o destruidor, sê poderoso entre nós.
Ó Leão e Ó Serpente que destrói o destruidor, sê poderoso entre nós.
Ó Leão e Ó Serpente que destrói o destruidor, sê poderoso entre nós.

A SACERDOTE coloca as mãos sobre os seios da SACERDOTISA e toma de volta a sua Lança. Ele se volta para a assistência, baixa e eleva a Lança, faz uma cruz (+) sobre as pessoas.

O Sacerdote: "Faze o que tu queres será o todo da Lei".

As Pessoas: "Amor é a lei, amor sob vontade."

Ele abaixa a lança e se volta para o Leste.

A SACERDOTISA toma a Lança em sua mão direita. Com a mão esquerda ela oferece a Pátena.

O SACERDOTE ajoelha.

O Sacerdote: Que em minha boca esteja a essência da vida do Sol!

Ele toma a Hóstia com a mão direita, faz uma cruz (+) com ela sobre a Pátena e a consome.

Silêncio.

A SACERDOTISA toma a Taça descobrindo-a e oferecendo-a com antes.

O Sacerdote: Que em minha boca esteja a essência da alegria da Terra!

Ele toma a Taça, faz uma cruz (+) sobre a SACERDOTISA, bebe e devolve-a.

Silêncio.

Ele se levanta, pega a Lança e se volta para as pessoas.

O Sacerdote: Não há parte de mim que não seja dos Deuses.

Aqueles da assistência que desejarem comungar, e ninguém sem essa intenção deveria estar presente, tendo assinalado a sua intenção, uma Bolo de Luz e um gole de vinho foi preparada para cada um.

O DIÁCONO os guia; eles avançam um por vez até o altar. As crianças tomam os Elementos e lhes oferecem. As Pessoas comungam do mesmo modo que havia feito o SACERDOTE, dizendo as mesmas palavras em atitude de Ressurreição: "Não há parte de mim que não seja dos Deuses."

A única exceção para essa parte da cerimônia ocorre quando ela é da natureza de uma celebração, quando apenas o SACERDOTE comunga; ou parte da cerimônia de um casamento, quando nenhum outro, salvo os dois que vão se casar comungam; parte da cerimônia de batismo, quando somente a criança batizada participa; e da Confirmação na puberdade quando apenas a pessoa confirmada comunga. O sacramento pode ser reservado ao SACERDOTE para ministrar a pessoas doentes em suas casas.

Ao final da comunhão o SACERDOTE fecha o véu do Altar Maior. Com a Lança ele faz três cruzes sobre a assistência.

O Sacerdote:
(+) Que o SENHOR vos abençoe.

(+) Que o SENHOR ilumine vossas mentes, conforte vossos corações e sustente vossos corpos.

(+) Que o SENHOR vos conceda o cumprimento de vossas verdadeiras Vontades, a Grande Obra, o Summum Bonum, A Verdadeira Sabedoria e a Perfeita Felicidade.

Ele sai, o DIÁCONO e as Crianças o seguem para dentro da tumba do Oeste. Música (Voluntária).

 

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