Ordo Templi Orientis – Brasil
 


Thelema

Sobre Thelema

Faze o que tu queres será o todo da Lei.

Thelema pode ser vista tanto quanto uma religião, uma filosofia, uma proposta social ou a soma de tudo isso. É um sistema metafísico completo, surgido em 1904 através do recebimento do Liber AL vel Legis (o Livro da Lei) no Cairo pelo ocultista inglês Aleister Crowley.  Esse livro proclama a chegada de um Novo Æon (Era) para a Humanidade. Nesse sistema, a suprema Lei é a chamada Lei de Thelema, sintetizada nos dizeres “Faze o que tu queres será o todo da Lei” e “Amor é a lei, amor sob vontade.” Estas palavras conclamam a todos ao autoconhecimento que lhes permitirá descobrir e realizar sua Verdadeira Vontade. 

Esta Vontade, por sua vez, não se trata de mero desejo. A Lei não pode ser interpretada como uma licença para realizar qualquer capricho e se eximir da responsabilidade. Ao contrário, ela se refere à estrita missão de descobrir e realizar sua verdadeira natureza, que equivale à divindade dentro de cada indivíduo. Em compensação, todos os direitos que não sejam a realização dessa Grande Obra não passam de ilusões.

Dentro do pensamento thelêmico, entende-se que a razão deva ser uma ferramenta da Vontade, e que a experiência é mais importante do que a teorização. A Vontade não se baseia em fé, mas sim na experiência direta do indivíduo em seu curso de vida. Thelema não é uma proposta baseada apenas na teoria, mas sim na vivência individual, na experimentação direta e no questionamento de ideias. Enquanto a fé se baseia na aceitação plena, a certeza de Thelema se firma sobre a experiência. Nenhuma experiência deve ser descartada a priori, mas adequadamente vivida e só então analisada à luz dos resultados desejados. Ao viver apenas a teoria da vida, o indivíduo está, assim, privando-se do conhecimento de sua Vontade.  A única maneira de se lidar com ela é a vivência direta da mesma, independente de dogmas ou de fé.

De todo modo, como todos estamos em processo de autoconhecimento, conflitos internos e externos são normais. A ideia do “faze o que tu queres será o todo da Lei” traz implicações éticas sérias, geralmente exploradas nos trabalhos de Aleister Crowley. Uma vez que se considera que uma pessoa não possua outro direito senão o de cumprir sua Verdadeira Vontade (AL III:60), a única ação correta é aquela que provenha desta fonte, sendo qualquer outra incorreta.

Toda ação que afaste o ser humano do cumprimento desta Vontade é uma ação restritiva e, portanto, considerada “pecaminosa”. O “pecado” assume características relativas e não absolutas. O bem e o mal são circunstâncias adequadas a cada um. Com isso, a autodisciplina e o autoconhecimento assumem importância capital: como todo ser humano tem potencial divino e é dotado de sua própria e soberana natureza, apenas através da disciplina e do conhecimento pleno de si mesmo é possível exercer essa natureza de modo perfeito e harmônico, o que inclui não restringir a Vontade alheia, uma vez que o único crime do Universo é colisão entre estrelas. Essa é a completa liberdade, incluindo liberdade moral, sexual, política e filosófica, conforme compreendida por Thelema.

Como resultado, a maioria dos Thelemitas e comunidades thelêmicas sérias promovem um ambiente de respeito mútuo, confiança e encorajamento de que cada um descubra seu próprio caminho, evitando a presunção de que qualquer um possa conhecer a Vontade do outro melhor do que ele mesmo.

A Lei de Thelema só pode ser consumada pelos esforços pessoais de cada um. De todo modo, muitos aspirantes têm um interesse genuíno por informação, assistência, companheirismo, oportunidade de troca de conhecimento com seus colegas estudantes ou mesmo de servir a humanidade. Esses aspirantes são bem-vindos à O.T.O.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Aleister Crowley

O Profeta do Novo Æon

Aleister Crowley veio ao mundo em 12 de outubro de 1875 e.v, em Leamington Spa, cidade de Warwickshire, Inglaterra. Seu nome de batismo era Edward Alexander Crowley e nasceu como membro de uma família rica e religiosa, sendo seus pais da Irmandade de Plymouth, uma seita cristã bastante fervorosa. Desde cedo se mostrou rebelde, a ponto de receber de sua mãe o apelido de "Besta de Apocalipse", chegando também a mudar seu nome para Aleister (forma gaélica de Alexander) para contrariá-la.

Matriculado na Universidade de Trinity, Cambridge, em 1895 e.v., abandonou-a pouco antes de concluí-la. Com temperamento forte e paixões tão diversas como a poesia, o xadrez e o alpinismo, embora talentoso em todas elas, não foi como exímio novelista, artista, filósofo ou montanhista que Crowley de fato se consagrou, mas como o homem que revolucionou o Ocultismo e a Magia no séc. XX.

O Envolvimento com a Magia

A leitura do livro de Carl von Eckrtshausen, "A Nuvem sobre o Santuário", despertou-lhe a curiosidade quanto a ideia de uma sociedade secreta de grandes iniciados. Crowley definiu a si o objetivo de conquistar seu lugar entre tais homens. Esse caminho o levou a travar contato com a Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), clássica ordem européia que reunia e sintetizava ensinamentos diversos, como Cabala, Rosacrucianismo e Yoga.

Em 1898 e.v., aos 23 anos de idade, Crowley foi iniciado na Golden Dawn com o motto (nome mágicko) de “Perdurabo” – do latim, “eu perdurarei até o fim”. No ano seguinte ele comprou a Mansão de Boleskine, no Lago Ness, no intento de usá-la para obter o contato e conversação com seu Sagrado Anjo Guardião, através do Ritual de Abramelin. Perdurabo em pouco tempo cresceu na Golden Dawn, em estrita proximidade com membros célebres como S. L. MacGregor Mathers, líder da Ordem, com quem depois rompeu, e Allan Bennet, com quem aprendeu e treinou Yoga em 1902 e.v. no Ceilão (atual Sri Lanka).

Durante este período, que incluíram brigas internas da Ordem e por fim o desligamento de Crowley, ele acabou vivendo um período de ceticismo e apatia em relação à Magia. De acordo com seus registros, embora tendo atingido consecuções espirituais e a realização de diversos feitos mágickos, perguntava-se para que serviria tudo isto, vendo-os com indiferença.

Em 1903 e.v., Crowley retornou a seu lar em Boleskine, onde se casou com Edith Rose Kelly, irmã do pintor real Sir Gerald Kelly.

A Escritura do Livro

Para surpresa de Crowley, Rose Kelly revelou-se uma clarividente. Após o casamento, viajaram em lua de mel ao Egito, onde se daria a mais importante experiência da vida de Crowley, começando em março de 1904 e.v e estendendo-se até abril. Há algum tempo ele tentara o contato com o seu Sagrado Anjo Guardião, mas foi através da mediação de sua esposa que ele julgou ter sucesso.

De acordo com seus registros, enquanto ele tentava despretensiosamente (e sem sucesso), através do Ritual do Inascido, invocar silfos para divertir sua esposa, ela entrou em transe e anunciava: “Eles estão esperando por você!”. Como se um canal houvesse sido aberto, investigando nos dias seguintes, lhe foi revelado que quem esperava por ele era o antigo deus egípcio Hórus, e que Crowley deveria invocá-lo. Cético em relação à clarividência de sua esposa, iniciou uma série de testes para verificar o grau de veracidade desta comunicação. Após responder corretamente uma série de perguntas cujas respostas Rose Kelly não poderia ter conhecimento prévio, ele a levou ao Museu Boulaq, onde, após passarem por várias imagens de Hórus, ela apontou para uma estela (placa de pedra funerária egípcia, retangular e com o topo curvo, contendo imagens e inscrições) que não podia ser muito bem vista do ponto onde se encontravam. Quando examinada, a estela (hoje conhecida como Estela da Revelação) apresentava uma imagem de Hórus e, para espanto de Crowley, estava catalogada com o número 666. Crowley adotara o 666 como seu número pessoal como rebelião contra a religião de sua família há muito tempo atrás.

Após invocar Hórus, Crowley alcançou seu objetivo. Nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904 e.v., recebeu e transpôs para o papel, de uma entidade que se identificava como Aiwass, o texto do Liber AL vel Legis, o Livro da Lei. Mais tarde, Crowley considerou que Aiwass era o seu Sagrado Anjo Guardião. Este livro tornou-se o foco da filosofia de Crowley, mesmo que ele o tenha rejeitado a princípio. Durante algum tempo ele deixou o documento de lado, esquivando-se de sua revelação e chamado.

Por fim, tendo aceitado o Livro da Lei e vindo a dedicar o resto de sua vida ao trabalho na Lei de Thelema, nomeou-se o Profeta do Novo Eon, anunciando o fim da Era de Osíris e o início da Era de Hórus: um novo começo para a Humanidade, quando a fórmula mágica do deus paternal que exige obediência e penitência seria abandonada em prol da fórmula do deus criança, Hórus, que anuncia a chegada de uma era de liberdade, experimentação e realização íntima.

O Profeta de Uma Nova Era

Em 1907 e.v. Crowley fundou a Astrum Argentum (A.'.A.'.), a Ordem da Estrela de Prata, primeira organização centrada no Livro da Lei e com objetivo da promulgação de Thelema.

Dois anos depois, ele se divorciou de Rose Kelly e viajou ao deserto do Saara com seu discípulo e poeta Victor Neuberg, onde realizariam juntos uma série de rituais que resultariam na escrita do Liber 418 – A Visão e a Voz. Ainda em 1909 e.v. começa a publicação do "The Equinox", órgão oficial da A.'.A.'., cuja publicação era feita nos Equinócios de Primavera e Outono, sendo a maioria dos artigos de autoria do próprio Crowley. 

Crowley e a Ordo Templi Orientis

Em 1910 e.v. Crowley foi contatado por Theodor Reuss, líder da Ordo Templi Orientis. Reuss o acusava de haver publicado o segredo do Grau IX° da O.T.O. Uma conversa entre os dois mostrou que uma passagem publicada por Crowley em Liber 333 – O Livro das Mentiras, havia incitado os líderes da O.T.O. a acreditarem que Crowley era um praticante de magia sexual e que havia escancarado o que era um segredo da Ordem. Pouco depois ele se uniu à O.T.O. e, em 1912 e.v., tornou-se o líder da Ordem para os países de língua inglesa.

A filosofia de Thelema encantara Reuss, e a incorporação do Livro da Lei abriu alas dentro da Ordem. Em outubro 1918 e.v., uma substancial mudança da estrutura da Ordem viria a substituir de vez os ideais maçônicos pelo thelêmico, quando Crowley foi autorizado a rever os rituais, símbolos e métodos da O.T.O.

Em março de 1919 e.v., Crowley publicou em "The Equinox, Volume III, No. I" (o "Equinox Azul") uma série de importantes documentos da O.T.O., incluindo:

Assim, portanto, a Ordo Templi Orientis foi a primeira ordem do Velho Eon a aceitar a Lei de Thelema e adequar sua fórmula ao Eon de Hórus.

A Abadia de Thelema em Cefalú

Em 1920 e.v., Crowley fundou a Abadia de Thelema na cidade de Cefalú, localizada na ilha italiana da Sicília. A proposta do lugar era servir como uma experiência comunal inspirada na abadia sugerida no livro Gargantua e Pantagruel, de Rabelais. A ideia é descrita no livro como um monastério onde o tempo dos habitantes era investido “não em leis, estatutos ou regras, mas de acordo com seu próprio livre arbítrio e prazer”. Dentro desse espírito utópico, Crowley pretendia fazer da Abadia um programa da prática da Lei de Thelema, para onde estudantes se dirigiam com o objetivo de descobrir sua Verdadeira Vontade, ou seu propósito em vida.

Durante seu período em Cefalú, em 1922 e.v., Crowley assumiu como líder, O.H.O. da Ordo Templi Orientis, isto é, Outer Head of the Order, o Cabeça Externa da Ordem. Em 1923 e.v. Reuss faleceu, já combalido por um ataque de paralisia que sofrera em 1920 e.v.

O destino da Abadia, no entanto, estava selado. Em 1923 e.v., um jovem universitário de 23 anos morador da Abadia, chamado Raoul Loveday, morreu por ingerir água de uma fonte não tratada, sendo que Crowley o havia advertido do perigo. No entanto, a esposa de Loveday, Betty May, vendeu a história para o tablóide britânico Sunday Express como se tratasse das consequências de um ritual negro que envolvia ingestão de sangue. Não tardou para que a imprensa inglesa fosse inundada de reportagens sobre a “magia negra” que supostamente ocorria na Abadia.

Tais reportagens levaram o governo do ditador Benito Mussolini a fechar a Abadia de Thelema e expulsar Crowley da Itália.

Em 1955 e.v. o cineasta Kenneth Anger rodou um curto documentário sobre a Abadia de Thelema, que havia sido exorcizada após a partida de Crowley. Os murais que Crowley havia pintado nas paredes do local, influenciadas pelo estilo de Paul Gauguin, a quem Crowley admirava, tinham recebido uma grossa camada de tinta branca por cima, a qual teve de ser retirada para revelar esta e outras evidências físicas da passagem dele pelo local.

Os Últimos Anos

A década de 40 apresentou um ressurgimento de Crowley. Junto com Lady Frieda Harris, cria e publica seu baralho de Tarot, o Livro de Thoth. Em 1942 e.v. publicou o Liber OZ na forma de um manifesto da O.T.O.

Crowley morreu em 1° de dezembro de 1947 e.v., vítima de bronquite crônica e problemas cardíacos em sua casa na cidade de Hastings. No dia 5 de dezembro seu corpo foi cremado em Brighton, em uma cerimônia assistida por Irmãos, amigos, admiradores e discípulos.

Livros

Crowley deixou uma série de livros, ensaios, rituais, cerimônias e um incontável número de cartas pessoais ou para jornais. Ele também era poeta, crítico, cronista e colunista, além de ter escrito romances e peças.

Alguns de seus livros são:

Nomes mágickos

Crowley assumiu alguns nomes mágickos para expressar o estágio iniciático no qual se encontrava. Foram eles:

Importância Cultural

É inegável que a importância de Crowley para o ocultismo é inigualável. Poucos praticantes de magia podem gabar-se de ter mudado o mundo ocultista da mesma forma que ele. Seus preceitos encontram-se presentes em várias tradições mágicas modernas, mesmo as que não seguem a Lei de Thelema, tais como a Wicca, baseada na obra de Gerald B. Gardner, e até a Cientologia de L. Ron Hubbard, ambos ex-discípulos de Crowley.

Muitos movimentos culturais também foram influenciados por ele. Desde o cinema, na figura de Keneth Anger, à música (há uma foto dele em no disco dos Beatles "Sargent Pepper`s Lonely Hearts Club Band"). Grupos musicais como o Black Sabbath, o Led Zeppelin e os Rolling Stones também colocam as obra de Crowley como fonte de influência. Nas artes plásticas o pintor H. R. Giger pode ser citado como um de seus inúmeros admiradores. Na literatura podemos citar a obra de Aldous Huxley, W. Somerset Maugham e Robert A. Heinlein.

Ele também foi reinterpretado à luz dos movimentos beat, hippie, punk e da rebelião da contracultura. O jornal londrino Sunday Times o nomeou uma das mil pessoas que fizeram o século XX.

No Brasil é importante salientar a obra musical de Raul Seixas, onde o nome e as palavras de Crowley surgem de forma explícita. Além disto, outros músicos já se confessaram admiradores de Crowley, como Renato Russo e Rita Lee.

Créditos

Fontes

Metafísica e Teologia

Cosmologia

A cosmologia de Thelema postula que tudo o que existe é produto da interação de dois princípios cósmicos: o Infinito Estendido, que é o espaço-tempo contínuo ou o Macrocosmo; e o coração atômico, individual do Microcosmo de cada ser. O casamento entre esses dois princípios opostos dá origem à Consciência, que governa a existência.

No Livro da Lei, esses três princípios são personificados por antigos deuses egípcios, respectivamente:

  1. Nuit (Nu) manifesa-se no Capítulo I. Ela é a Deusa do Infinito e Rainha do Espaço: seu corpo é representado como um céu noturno curvado, no qual “todo homem e toda mulher é uma estrela” (Liber AL, I:3). Ela representa o Universo e a totalidade de experiências possíveis nele. Nuit é o complemento de Hadit.
  2. Hadit (Had) manifesta-se no Capítulo II. Ele é o globo solar alado, o ponto infinitamente contraído, o ser íntimo de cada um e o doador de Vida. Ele é o complemento de Nuit.
  3. Ra-Hoor-Khuit (Hórus) manifesta-se no Capítulo III. Ele é o Senhor do presente Aeon, o deus da cabeça de Falcão, também conhecido como a Criança Coroada e Conquistadora.

Thelema segue a ideia de que a evolução da consciência cultural da humanidade, bem como da consciência individual de cada um, desenvolve-se através de ciclos. A história é dividida numa série de “Aeons” (Eras), cada qual marcado por um conceito dominante de deus e por uma “fórmula” de redenção, evolução e postura diante da sociedade, de si mesmo e da existência como um todo.

Hórus, como regente do atual Aeon, sucede os Aeons de Ísis – matriarcal, cuja fórmula neolítica era de adoração à Grande Mãe em troca de nutrição e fertilidade – e o de Osíris – baseado no culto a um deus patriarcal que exige obediência e sacrifício. No Novo Aeon, a Lei é sintetizada nos conceitos Thelema (Vontade) e Agape (Amor), estabelecendo que a nova fórmula mágicka é fundamentada em conhecimento e crescimento individual, através do Amor, culminando em auto-realização. Assim, Hórus representa também o homem divinizado.

0 = 2 (A divisão e a dissolução)

Outro modo de se ver em Thelema esta dinâmica de criação de tudo que existe é por meio de uma fórmula: o "Nenhum e Dois", também representado pela expressão numérica "0 = 2", simbolizando 0 um estado de indiferenciação, onde os princípios opostos se dissolveram ou ainda não se manifestaram, e 2 o estado de divisão, onde ocorre a manifestação da pluralidade que antes existia apenas potencialmente.

Através deste conceito chega-se à ideia de que o Universo é, na sua essência, Zero, ou "Nada". Isso define a existência não como nula, mas impossível de ser entendida racionalmente, uma vez que ela é um desdobramento do Nada incognoscível - que, paradoxalmente, realiza Tudo que existe. Muitos místicos vêem nesta fórmula a dinâmica da Unidade, quando a dualidade e a anulação se correspondem perfeitamente. Desta forma, tudo o que foi dividido tende a se unir, e assim os pólos opostos se unificam e transcendem a si mesmos. Essa é também uma das bases metafísicas da Magia Sexual. 

Posto que tal dinâmica de separação e de união dos opostos são fases da criação de tudo que existe, tem-se que o Universo é um movimento contínuo. Em Thelema, uma série de cosmologias parecem se cruzar, como a exposta no Credo da Missa Gnóstica ou no texto "Matéria em Movimento" de "O Novo Comento" (A. Crowley). Isso é perfeitamente possível e natural dentro do pensamento thelêmico, que busca não a negação de conceitos conflitantes, mas sua síntese. Essa essência é expressa na própria estrutura do Livro da Lei, nos conceitos de Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit: o Universo (Nuit), que é o Infinito macroscópico, é constante movimento circular ao redor do Ser (Hadit), Infinito microscópico, e do casamento dessas essências surge o Ser Humano pleno (Ra-Hoor-Khuit).

A Vida

Outra coisa a ser compreendida é que a realidade e a vida são encaradas por Thelema como puro regozijo. Não possuindo um conceito análogo aos de Pecado Original, castigo divino ou término de uma "Idade de Ouro", Thelema não crê na vida como uma punição, um cárcere ou um tormento. A alegria da existência e o êxtase do Amor, como exaltação e refinamento da consciência, são a própria base da realidade. Ainda que se compreenda que existam a dor e outras fontes de angústia, estas não são nem negadas, nem se tornam em si mesmas a base de um comportamento. São, ao invés disso, sintomas de algum processo natural ou fase específica do espírito humano.

Ao finalmente conhecer sua Vontade e executar a fórmula do "Faze o que tu queres", o Ser Humano torna-se pleno, livre de toda dualidade, ilusão e restrição. Ele se torna o Zero, a potência do Todo: torna-se Pã, a brincar enquanto cria livremente, tocando a sua flauta, em seu bosque sob a Noite.

Autoconhecimento

Portanto, a teologia thelêmica busca proporcionar o entendimento do funcionamento do Ser Humano e, como o que está em cima é como o que está embaixo, consequentemente também do funcionamento do Universo, como no postulado de Delfos: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás aos deuses e ao Universo". A força motriz da realidade é a Vontade (Thelema), enquanto sua natureza é o Amor (Agape). A fórmula do Amor descreve que tudo aquilo que está dividido, está pela oportunidade do Amor, pela chance de união. Esse força que impulsiona a comunhão é a ideia contida em "Amor sob vontade". Assim, também, cada ação ou movimento criativo da Vontade é um ato de Amor.

Panteão

As Principais Divindades de Thelema

Thelema é uma filosofia panteísta. Sendo assim, o Universo é Divino e cada uma de suas expressões particulares também goza dessa natureza divina. Portanto, os deuses são encarados não de forma literal, mas como um princípio natural que tem correspondência no espírito humano. Consequentemente, o panteão thelêmico é essencialmente aberto, uma vez que toda e qualquer divindade, pertencente a qualquer mitologia, é admitida como uma maneira de exprimir um conceito ou um aspecto da realidade.

Também é normalmente considerado que cada indivíduo possui um Augoeides, ou Sagrado Anjo Guardião (SAG), que pode ser considerado como a voz do “Si Mesmo” de cada um – ou seu “Self”, termo que se usa para distingui-lo do Ego, que é nossa noção superficial de "eu", a porção consciente na qual enraizamos nossa identidade e através da qual, até então, travamos nossa relação com o mundo e com nossa própria interioridade. Um dos principais objetivos em Thelema é o que se chama de "Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião", referente ao estado iniciático onde ocorre comunicação e comunhão entre o Adepto e sua Divindade, que é seu Mestre Interior. No que tange aos conceitos do pós-morte, a própria vida é considerada como contínua, sendo a morte parte integrante do todo. A vida termina para que a vida continue. O SAG, entretanto, é imortal, não estando submetido aos ciclos de vida e morte.

Respeitando os métodos e crenças particulares a cada indivíduo, os Thelemitas costumam se adequar Hermetismo tradicional na doutrina de que cada pessoa possui um Corpo de Luz, uma alma organizada em "camadas" anexas ao corpo físico. Tal como na doutrina budista, o Corpo de Luz é considerado como sendo passível de mentempsicose (reencarnação) após a morte do corpo físico. Pode-se considerar que Corpo de Luz evolui em sabedoria, consciência e poder espiritual através de tais ciclos de reencarnação, para aqueles que assim decidem proceder, até o ponto em que se encontra a Verdadeira Vontade daquele espírito e o indivíduo está capacitado a partir em direção à execução de sua Grande Obra, o objetivo máximo de sua existência, como parte do Todo representado por Nuit.

Para Thelema, toda ação que dirija o indivíduo para longe da descoberta e cumprimento desta sua Grande Obra pode ser considerada “magia negra”. Isto inclui atos de interferência e restrição ao exercício de outras pessoas descobrirem sua própria Vontade. A desarmonia e desequilíbrio criados por esse tipo de interferência criam respostas do universo; doutrina similar à concepção oriental de “Karma”.

No entanto, Thelema não postula a existência de bem ou mal absolutos. Portanto, não há nenhum paralelo com os conceitos judaico-cristãos de demônio ou Satã; a coisa mais próxima a isto seria uma ilustração da confusão, distração, ilusão e ignorância, definidas pelo nome “Choronzon”.

Algumas divindades, conceitos e personalidades aparecem com mais frequência na literatura thelêmica, constituindo sua teologia:

Práticas

Principais Ritos

Em termos da práticas mágicka e ritualística do Thelemita, há espaço para cada um escolher aquilo que considere mais apropriado ao seu perfil.

No entanto, há certas cerimônias e práticas que podem ser descritas como gerais. Crowley compôs algumas diretrizes ou programas. Em Liber Aleph ele descreve os seguintes “Meios prescritos em nossos Livros Sagrados” para serem constantemente observados:

Não neglicencies jamais as quádruplas Adorações do Sol em suas quatro Estações, pois desta forma tu afirmas teu Lugar na Natureza e suas Harmonias. (Liber Resh)

Não negligencies a Execução do Ritual do Pentagrama, e a Assunção da Forma de Hoor-pa-Kraat. (Liber O)

Não negligencies o Milagre diário da Missa, quer pelo rito da Igreja Católica (Liber XV) Gnóstica, quer por aquele da Fênix (Missa da Fênix).

Não neglicencies a execução da Missa do Espírito Santo, como a Natureza Mesma te incita.

Viaja também no Empíreo em teu Corpo de Luz, buscando sempre Habitações mais ígneas e mais lúcidas.

 Por último, exercita constantemente os Oito Membros de Yoga. E assim tu chegarás ao Fim.

Em Magick na Teoria e Prática, há um programa com ênfases ligeiramente diferentes. Primeiramente recomenda-se Yoga pelo método explicado na “Parte I” do Livro Quatro (Book 4). Então são listados os “mais importantes exercícios” de Magick, como segue:

Adicionalmente a esses programas, há outras práticas básicas geralmente envolvidas com Thelema. A primeira delas é o Diário Mágicko. “É melhor falhar na cerimônia mágicka do que falhar ao escrever um relato apurado dela” (Book Four). O segundo é o curto ritual conhecido como “Will”, ou “Dizer a Vontade” antes da principal refeição do dia. Essa prática consiste em declarar como objetivo consciente (geralmente por conta de um diálogo) que é da vontade do indivíduo comer e beber para fortalecer seu corpo para que assim ele possa realizar a Grande Obra.

Notas Finais

Fontes:

Calendário

O Calendário Thelêmico

O calendário thelêmico é contado a partir do ano de 1904 e.v., na ocasião do recebimento do Livro da Lei.

O ano novo thelêmico ocorre no dia 20 de março do calendário comum, dia em que ocorre, no Hemisfério Sul, o Equinócio de Outono. Nesta data é também celebrada a festa para o Equinócio dos Deuses.

O calendário thelemita conta a passagem dos anos prioritariamente por ciclos de 22 anos, associados ao número dos Arcanos Maiores do tarô. O número secundário, escrito em minúsculas, dá o número de anos dentro do ciclo atual. Assim sendo, o ano de 2010, por exemplo, corresponde ao Anno IV:xviii. Isto é: desde 1904 e.v., passaram-se 4 ciclos de 22 anos, mais 18 anos, desde o ano de escrita do Liber AL. O Anno de 2010 e.v., deste modo, poderia ser lido após o Equinócio de Outono como estando no ciclo do Imperador e no ano da Lua.

Sempre que uma data seja fornecida no calendário vulgar, a abreviação "e.v." marca "era vulgaris", enquanto no calendário thelêmico utiliza-se "e.n.", representando a "era novis", ou nova era.

Outro modo de os thelemitas calcularem o tempo é usando a Astrologia, considerando a influência dos planetas e a posição do Sol e da Lua no zodíaco. Os dias da semana podem ser dados dessa maneira:

O cálculo astrológico pode ser fornecido com mais precisão, se fornecidos tanto o dia da semana quanto o número de graus, minutos e segundos da posição do Sol e da Lua, mapeando-os astrologicamente.

Serviço de Data thelêmica informa que a data thelêmica atual é: 

Data Thelemica

Dias sagrados de Thelema

"Que os rituais sejam corretamente executados com alegria & beleza!"
(Liber AL vel Legis II:35).

Os dias sagrados de Thelema estão sinalizados no Liber AL, capítulo II, vers. 36-41. Crowley os especificou em seus comentários, como segue:

Também existem as festas que correspondem a momentos específicos da vida:

O Livro da Lei

Liber AL vel Legis

sub figura CCXX
como entregue por
CIII = 418
a
DCLXVI
Publicação de Classe A da A.·.A.·.

Capítulo 1

  1. Had! A manifestação de Nuit.
  2. O desvelar da companhia do céu.
  3. Todo homem e toda mulher é uma estrela.
  4. Todo número é infinito; não existe diferença.
  5. Ajuda-me, ó senhor guerreiro de Tebas, em meu desvelar perante as Crianças dos homens!
  6. Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração & minha língua!
  7. Contemplai! Isto é revelado por Aiwass, o sacerdote de Hoor-paar-kraat.
  8. O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.
  9. Venerai pois o Khabs, e contemplai minha luz derramada sobre vós!
  10. Que meus servidores sejam poucos & secretos: eles dominarão os muitos & os conhecidos.
  11. São estes tolos que os homens adoram; seus Deuses & seus homens são ambos tolos.
  12. Saíde pois, ó crianças, sob as estrelas, & tomai vossa fartura de amor!
  13. Eu estou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.
  14. Acima, o adornado azul-celeste é
    O esplendor nu de Nuit;
    Ela se curva em êxtase a beijar
    Os ardores secretos de Hadit.
    O globo alado, o azul estrelado,
    São meus, Ó Ankh-af-na-khonsu!
  15. Agora vós devereis saber que o escolhido sacerdote & apóstolo do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate está todo o poder concedido. Eles agruparão minhas crianças dentro do seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para dentro do coração dos homens.
  16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a secreta chama alada e para ela a cadente luz estelar.
  17. Mas vós não sois escolhidos assim.
  18. Arde sobre as frontes deles, ó esplendorosa serpente!
  19. Ó mulher das pálpebras azul-celeste, curva-te sobre eles!
  20. A chave dos rituais está na palavra secreta que dei a eles.
  21. Com o Deus & o Adorador eu nada sou; eles não me vêem. Eles estão como que sobre a terra; eu sou o Paraíso e não há outro Deus além de mim, e meu senhor Hadit.
  22. Agora, portanto, eu sou conhecida de vós pelo meu nome Nuit e dele por um nome secreto que eu hei de lhe dar quando por fim ele me conhecer. Visto que eu sou o Espaço Infinito e as Infinitas Estrelas de lá, fazei isto vós também. Nada prendais! Que no meio de vós não exista diferença feita entre uma coisa qualquer & qualquer outra coisa; pois disso vem a dor.
  23. Mas aquele eficaz nisso, seja ele o chefe de tudo!
  24. Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.
  25. Dividi, somai, multiplicai e compreendei.
  26. Então disse o profeta e escravo da mais bela: Quem sou eu, e o que será o sinal? Então ela lhe respondeu, curvando-se para baixo, uma suave chama de azul, tudo tocando, tudo penetrando, suas adoráveis mãos sobre a terra negra, & seu corpo flexível arqueado por amor, e seus pés macios não ferindo as pequenas flores: Tu o sabes! E o sinal deverá ser meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença de meu corpo.
  27. Então o sacerdote respondeu & disse para a Rainha do Espaço, beijando suas adoráveis sobrancelhas, e o orvalho de sua luz banhando seu corpo inteiro em um perfume adocicado de suor: Ó Nuit, única e contínua do Céu, que seja sempre assim; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma; e que não falem de Ti de modo algum visto que Tu és contínua!
  28. Nenhuma, sussurrou a luz, lânguida & encantada, das estrelas, e duas.
  29. Pois eu estou dividida por causa do amor, pela chance de união.
  30. Esta é a criação do mundo, que a dor da divisão é como nada, e a alegria da dissolução é tudo.
  31. Por estes tolos dos homens e suas angústias não te interesses de modo algum! Eles sentem pouco; o que é, é equilibrado por fracas alegrias; mas vós sois meus escolhidos.
  32. Obedecei meu profeta! Ide até os ordálios de meu conhecimento! Procurai apenas a mim! Então as alegrias de meu amor vos redimirão de toda a dor. Isto assim é: Eu juro pela abóbada de meu corpo; por meu sagrado coração e língua, por tudo o que eu posso dar, por tudo o que eu desejo de todos vós.
  33. Então o sacerdote caiu em profundo transe ou desmaio, & disse para a Rainha do Céu; Escreve para nós os ordálios; escreve para nós os rituais; escreve para nós a lei!
  34. Mas ela disse: os ordálios eu não escrevo: os rituais deverão ser metade conhecidos e metade ocultos: a Lei é para todos.
  35. Isto que tu escreves é o tríplice livro da Lei.
  36. Meu escriba Ankh-af-na-khonsu, o sacerdote dos príncipes, não deve uma só letra mudar deste livro; mas a fim de que não haja tolice, ele comentará a respeito pela sabedoria de Ra-Hoor-Khu-It.
  37. Também os mantras e encantamentos, o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele aprenderá e ensinará.
  38. Ele tem a obrigação de ensinar, mas ele pode fazer severos os ordálios.
  39. A palavra da Lei é Θελημα.
  40. Quem nos chama Telemitas não irá cometer erro, se examinar a palavra de perto . Pois existem nela Três Graus, O Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres será o todo da Lei.
  41. A palavra do Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuses tua esposa, se ela quer! Ó amante, se tu queres, parte! Não existe laço que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é maldição. Amaldiçoado! Amaldiçoado seja pelos eons! Inferno.
  42. Deixai aquele estado de multiplicidade limitado e repugnante. O mesmo para todos vós: não tendes direito algum senão fazer a vossa vontade.
  43. Fazei isso, e nenhum outro dirá não.
  44. Pois a vontade pura, aliviada de objetivo, livre do desejo de resultado, é em todos os modos perfeita.
  45. O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!
  46. Nada é uma chave secreta dessa lei. Sessenta e um os judeus a chamam; eu a chamo oito, oitenta, quatrocentos & dezoito.
  47. Mas eles têm a metade: uni através de vossa arte de modo que tudo desapareça.
  48. Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?
  49. Ab-rogados estão todos os rituais, todos os ordálios, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento ao Leste no Equinócio dos Deuses; e que Asar seja com Isa, os quais também são um. Mas eles não são de mim. Que Asar seja o Adorador, Isa o sofredor; Hoor em seu secreto nome e esplendor é o senhor que inicia.
  50. Há uma palavra a dizer sobre a obra Hierofântica. Contemplai! Existem três ordálios em um, e este pode ser dado em três caminhos. O bruto deve passar através do fogo; que o delicado seja experimentado no intelecto, e os sublimes escolhidos pelo altíssimo. Assim, vós tendes estrela & estrela, sistema & sistema; que nenhum conheça bem o outro.
  51. Existem quatro portões para um palácio; o assoalho desse palácio é de prata e ouro; lápis lazuli & jaspe estão ali, e todas as fragrâncias raras; jasmim e rosa, e os emblemas da morte. Que ele adentre separadamente ou de uma só vez os quatro portões; que ele se mantenha sobre o assoalho do palácio. Não irá ele afundar? Amn. Oh! guerreiro, e se teu servo afundar? Mas existem meios e meios. Sede graciosos portanto: vesti-vos todos com finos trajes; comei saborosas comidas e bebei doces vinhos e vinhos que espumam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem vós quiserdes! Mas sempre para mim!
  52. Se isso não estiver correto, se vós confundis as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra-Hoor-Khuit!
  53. Isso deverá regenerar o mundo, o pequeno mundo minha irmã, meu coração & minha língua para quem eu envio este beijo. Além disso, ó escriba e profeta, embora tu sejas dos príncipes, isso não te aliviará nem te absolverá. Mas sejam teus o êxtase e a alegria da terra; sempre A mim! A mim!
  54. Não mudes sequer o estilo de uma letra, pois observai! tu, ó profeta, não deverás vislumbrar todos esses mistérios escondidos aí dentro.
  55. A criança de tuas entranhas, ele os vislumbrará.
  56. Não o esperes do Leste, nem do Oeste; pois de nenhuma casa esperada esta criança virá. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles compreendem um pouco; solucionam a primeira metade da equação, deixam a segunda inatacada. Mas tu tens tudo em clara luz, e algo, embora nem tudo, na escuridão.
  57. Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem permita que os tolos confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande Mistério da Casa de Deus.Todas estas velhas letras de meu Livro estão corretas, mas צ não é a Estrela. Isso também é secreto: meu profeta o revelará ao sábio.
  58. Eu dou alegrias inimagináveis na terra; certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, repouso, êxtase; sem exigir algo em sacrifício.
  59. Meu incenso é de madeiras resinosas & gomas, e não existe sangue aí: por causa do meu cabelo as árvores da Eternidade.
  60. Meu número é 11, como todos os números deles que são dos nossos . A Estrela de Cinco Pontas com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é negra para o cego, mas o azul e o ouro são vistos pelo que vê.Também possuo uma glória secreta para os que me amam.
  61. Mas amar-me é melhor do que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu neste momento queimas meu incenso perante mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da Serpente aí dentro, tu virás a deitar um pouco em meu seio. Por um beijo tu então estarás querendo dar tudo, mas aquele que der uma partícula de pó perderá tudo nessa hora. Vós devereis juntar bens e provisões de mulheres e especiarias; vós devereis trajar ricas jóias, vós devereis exceder as nações da terra em esplendor & orgulho; mas sempre no amor de mim, e então devereis vir para a minha alegria. Eu vos ordeno seriamente a vir ante mim num robe único e cobertos com um rico adorno na cabeça. Eu vos amo! Eu anseio por vós! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou toda prazer e púrpura, e a embriaguez do sentido mais profundo, vos desejo. Colocai as asas e despertai o esplendor enrodilhado dentro de vós: vinde até mim!
  62. Em todos os meus encontros convosco deverá a sacerdotisa dizer - e seus olhos arderão de desejo enquanto ela se mantém nua e regozijante em meu templo secreto - A mim! A mim! chamando para fora a chama dos corações de todos em seu cântico de amor.
  63. Cantai a arrebatadora canção de amor para mim! Queimai perfumes para mim! Trajai jóias para mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo!
  64. Eu sou a filha de pálpebras azuis do Pôr-do-sol; eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno.
  65. A mim! A mim!
  66. A Manifestação de Nuit terminou.

Capítulo 2

  1. Nu! o esconder de Hadit.
  2. Vinde! todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido e Khabs é o nome de minha Casa.
  3. Na esfera eu sou em todo lugar o centro, enquanto ela, a circunferência, em nenhum lugar é encontrada.
  4. No entanto, ela será conhecida & eu, nunca.
  5. Contemplai! os rituais do tempo antigo são negros. Possam os maus serem lançados fora; possam os bons serem purgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá correto.
  6. Eu sou a chama que queima em todo coração humano, e no âmago de cada estrela. Eu sou a Vida e o doador da Vida; entretanto o conhecimento de mim é o conhecimento da morte.
  7. Eu sou o Mago e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola, pois sou eu quem vai.
  8. Quem adorou Heru-pa-kraat adorou a mim; mal, pois sou eu o adorador.
  9. Lembrai-vos todos vós de que a existência é puro gozo; de que todas as aflições são apenas sombras; elas passam e se vão, mas existe aquilo que permanece.
  10. Ó profeta! tu tens má-vontade em aprender esta escrita.
  11. Eu vejo que tu odeias a mão & a pena; mas eu sou mais forte.
  12. Por causa de mim em Ti que tu não conhecias.
  13. Por quê? Porque tu eras o conhecedor, e eu.
  14. Que agora seja este santuário velado: que agora a luz devore os homens e os engula com a cegueira!
  15. Pois eu sou perfeito, não o sendo; e meu número é nove para os tolos; mas com o justo eu sou oito, e um em oito: O que é vital, pois eu sou nenhum de fato. A Imperatriz & o Rei não são de mim; pois existe mais um segredo além.
  16. Eu sou a Imperatriz & o Hierofante. Logo onze, como minha noiva é onze.
  17. Ouvi a mim, vós, povo de lamentações!
    Os amargores dos pesares e das dores
    São deixados para o morto e o moribundo,
    As pessoas que não me conhecem ainda.
  18. Eles estão mortos, estes sem-valor, eles não sentem. Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos parentes.
  19. Haverá um Deus de viver num cão? Não! Mas os mais elevados são dos nossos. Eles deverão se regozijar, nossos escolhidos: quem se amargura não é dos nossos.
  20. A beleza e a força, o gargalhar saltitante e o langor delicioso, a força e o fogo, pertencem a nós.
  21. Nós não temos nada com o proscrito e o desajustado: que eles morram em sua miséria. Pois eles não sentem. A compaixão é o vício dos reis: pisai sobre o miserável & o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não penses, ó rei, sobre aquela mentira: Que Tu Deves Morrer: em verdade tu não morrerás, mas viverás. Que isso possa ser entendido: mesmo que o corpo do Rei se dissolva, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Kuit! O Sol, a Força & a Visão, a Luz; estes são para os servos da Estrela & da Serpente.
  22. Eu sou a Serpente que dá o Conhecimento e a Delícia e a glória que brilha, e agito os corações dos homens com a embriaguez. Para me adorar toma vinho e drogas estranhas sobre as quais falarei ao meu profeta, & embebeda-te de todas ! Elas não te farão mal algum. Isso é mentira, essa tolice contra ti. A exposição da inocência é uma mentira. Sê forte, ó homem! Deseja intensamente, usufrui de todas as coisas dos sentidos e do arrebatamento: não temas que qualquer Deus venha a te renegar por isso.
  23. Eu sou só: não existe Deus onde estou.
  24. Contemplai! estes são graves mistérios; pois existem também dentre meus amigos aqueles que são eremitas. Agora não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com grandes membros, e fogo e luz em seus olhos, e volumosas mechas de cabelo flamejante sobre eles; lá vós os encontrareis. Vós os vereis no comando, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e haverá neles uma alegria um milhão de vezes maior que esta. Cuidado para que um não force o outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com os corações ardentes; nos homens baixos pisoteai no feroz desejo de vosso orgulho, no dia de vossa ira.
  25. Vós sois contra o povo, Ó meus escolhidos!
  26. Eu sou a Serpente secreta enrodilhada e a ponto de saltar: em meu enrodilhar existe gozo. Se eu ergo minha cabeça, eu e minha Nuit somos um. Se eu deixo cair minha cabeça, e lanço meu veneno, então há arrebatamento na terra, e eu e a terra somos um.
  27. Existe grande perigo em mim; pois aquele que não entender estas runas cometerá um grande engano. Ele cairá no poço chamado Porquê, e lá ele perecerá com os cães da Razão.
  28. Agora uma maldição sobre o Porquê e seus parentes!
  29. Seja o Porquê amaldiçoado para sempre!
  30. Se a Vontade pára e grita Por quê, invocando o Porquê, então a Vontade pára & nada faz.
  31. Se o Poder pergunta por quê, então o Poder é fraqueza.
  32. Também a razão é uma mentira; pois existe um fator infinito & desconhecido; & todas as palavras deles são artifícios.
  33. Basta de Por quê! Seja ele danado como um cão!
  34. Mas vós, ó meu povo, levantai & acordai!
  35. Que os rituais sejam corretamente executados com alegria & beleza!
  36. Existem os rituais dos elementos e as festas das estações.
  37. Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva.
  38. Uma festa para os três dias em que foi escrito o Livro da Lei.
  39. Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta, Segredo, Ó Profeta!
  40. Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.
  41. Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa ainda maior para a morte!
  42. Uma festa todo dia em vossos corações, na alegria de meu arrebatamento!
  43. Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do máximo deleite!
  44. Sim! festejai! rejubilai-vos! não há temor daqui por diante. Existe a dissolução, e o êxtase eterno nos beijos de Nu.
  45. Existe morte para os cães.
  46. Tu falhas? Estás arrependido? Existe medo em teu coração?
  47. Onde eu sou estas coisas não são.
  48. Não te apiedes dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: eu odeio o consolado & o consolador.
  49. Eu sou único & conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Que sejam danados & mortos! Amén. (isto é dos 4: há um quinto que é invisível, & lá dentro eu sou como um bebê no ovo.)
  50. Eu sou azul e ouro na luz da minha noiva: mas o brilho vermelho está nos meus olhos; & minhas lantejoulas são púrpura & verde.
  51. Púrpura além da púrpura; é a luz mais alta que a visão do olho.
  52. Existe um véu; esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu do pesar, & o sudário da morte; nada disso é de mim. Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos: não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: esses vícios estão a meu serviço; fazei o bem, & eu vos recompensarei aqui e no porvir.
  53. Não temas, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não te arrependerás. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos sobre os quais tu olhares com alegria. Mas eu irei te esconder em uma máscara de pesar; aqueles que te virem recearão que tu estejas caído: mas eu te ergo.
  54. Nem será de nenhum proveito para aqueles que bradarem em sua tolice que tu nada significas de valor; tu revelarás isto: tu vales: eles são os escravos do porquê. Eles não são de mim. As pausas como tu queres; as letras? não as mude em estilo ou valor!
  55. Tu obterás a ordem & o valor do Alfabeto Inglês; tu encontrarás novos símbolos para atribuir a eles.
  56. Debandai! vós zombadores; ainda que gargalheis em minha honra, vós não gargalhareis por muito tempo; então quando estiverdes tristes sabereis que eu vos abandonei.
  57. Aquele que é correto permanecerá correto; aquele que é imundo permanecerá imundo.
  58. Sim! não cogiteis de mudança: vós sereis como sois, & não outra coisa. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Não existe nenhum outro que possa ser derrubado ou erguido: tudo é como sempre foi. No entanto existem servos meus mascarados: pode ser que aquele mendigo acolá seja um Rei. Um Rei pode escolher seus trajes como quiser: não existe teste certo: mas um mendigo não pode esconder sua pobreza.
  59. Portanto cuidado! Amai a todos, para que não haja porventura um Rei encoberto. Tu dizes assim? Tolo! Se ele for um Rei, tu não podes feri-lo.
  60. Portanto golpeai duro & baixo, e para o inferno com eles, mestre!
  61. Existe uma luz diante de teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, a mais desejável.
  62. Eu estou erguido em teu coração; e os beijos das estrelas chovem forte sobre teu corpo.
  63. Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e risonha que uma carícia do próprio verme do Inferno.
  64. Oh! tu estás sobrepujado: nós estamos sobre ti; nosso deleite está todo sobre ti; salve! salve: profeta de Nu! profeta de Had! profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozija-te! agora vem em nosso esplendor & arrebatamento. Vem em nossa paz apaixonada, & escreve palavras doces para os Reis!
  65. Eu sou o Mestre: tu és o Único Sagrado Escolhido.
  66. Escreve, & encontra o êxtase na escrita! Trabalha, & sê nossa cama no trabalho! Freme com a alegria da vida & da morte! Ah, tua morte será adorável: quem a vir ficará feliz. Tua morte será o selo da promessa de nosso amor de eras. Vinde! ergue teu coração & regozija-te! Nós somos um; nós somos nenhum.
  67. Segura! Segura! Agüenta firme teu arrebatamento; não caias no desfalecer dos beijos excelentes!
  68. Mais firme! Sustenta a ti mesmo! Levanta tua cabeça! não respires tão fundo - morre!
  69. Ah! Ah! Que sinto eu? Está a palavra exaurida?
  70. Existe auxílio & esperança em outros encantamentos. A sabedoria diz: sê forte! Então poderás suportar mais gozo. Não sejas animal; refina teu arrebatamento! Se tu bebes, bebe pelas noventa e oito regras da arte: se tu amas, excede em delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa prazerosa, que exista sutileza nela.
  71. Mas excede! excede!
  72. Esforça-te sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu - e não o duvides, se tu estás sempre cheio de prazer - a morte é a coroa de tudo.
  73. Ah! Ah! Morte! Morte! tu ansiarás pela morte. A Morte é proibida, ó homem, para ti.
  74. A extensão de tua ânsia será a força de tua glória. Ele que vive muito tempo & deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.
  75. Sim! Atentai para os números & as palavras:
  76. 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. Que significa isso, ó profeta? Tu não o sabes; nem o saberás algum dia. Virá alguém para te seguir: ele o deverá expor. Mas lembra-te, ó escolhido, de ser para mim; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de olhar pelos homens, para dizer-lhes esta palavra alegre.
  77. Ó sê orgulhoso e poderoso entre os homens!
  78. Ergue a ti mesmo! pois não há ninguém como tu entre os homens ou entre os Deuses! Ergue a ti mesmo, ó meu profeta, tua estatura ultrapassará as estrelas. Eles adorarão o teu nome, quadrangular, místico, maravilhoso, o número de um homem; e o nome da tua casa é 418.
  79. O fim do esconderijo de Hadit; e bênção & adoração para o profeta da adorável Estrela.

Capítulo 3

  1. Abrahadabra! a recompensa de Ra Hoor Khut.
  2. Existe divisão daqui até a volta ao lar; há uma palavra não conhecida. O ato de soletrar está morto; tudo não é qualquer coisa. Cuidado! Detende-vos! Erguei o encantamento de Ra-Hoor-Khuit!
  3. Agora que seja entendido antes de tudo que eu sou um deus de Guerra e de Vingança. Eu lidarei duramente com eles.
  4. Escolhei uma ilha!
  5. Fortificai-a!
  6. Adubai-a por todos os lados com maquinaria de guerra!
  7. Eu vos darei um instrumento de guerra.
  8. Com ele deveis golpear os povos; e ninguém ficará de pé diante de vós.
  9. Espreitai! Recuai! Sobre eles! esta é a Lei da Batalha de Conquista: assim deverá ser minha adoração em volta de minha casa secreta.
  10. Toma a própria estela da revelação; coloca-a em teu templo secreto - e esse templo já está corretamente disposto - & ele será tua Kiblah para sempre. Ela não desbotará, mas uma cor miraculosa retornará a ela dia após dia. Feche-a em um vidro trancado como uma prova ao mundo.
  11. Essa deverá ser a tua única prova. Eu proíbo discussões. Conquista! É o suficiente. Eu farei fácil para ti a reconstrução da casa mal-ordenada na Cidade Vitoriosa. Tu mesmo deverás transmitir isso com adoração, ó profeta, embora tu não gostes disso. Tu terás perigos e transtornos. Ra-Hoor-Khu está contigo. Adora-me com fogo & sangue; adora-me com espadas & com lanças. Que a mulher seja ornada com uma espada perante mim, que sangue jorre em meu nome. Pisa com força sobre os Gentios; esteja sobre eles, ó guerreiro, eu te darei da carne deles para comer!
  12. Sacrificai gado, pequeno e grande; depois uma criança.
  13. Mas não agora.
  14. Tu verás essa hora, ó Besta abençoada, e tu, a Concubina Escarlate do desejo dele!
  15. Vós ficareis tristes por conta disso.
  16. Não penseis tão avidamente em agarrar as promessas; não temais sofrer as maldições. Vós, mesmo vós, não conheceis todo esse significado.
  17. Não temais em absoluto, não temais nem homens nem Destinos, nem deuses nem coisa alguma. Dinheiro não temais, nem as risadas da tolice do povo, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra ou abaixo da terra. Nu é vosso refúgio como Hadit é vossa luz; e eu sou a firmeza, a força e o vigor de vossos braços.
  18. Que a misericórdia esteja fora: condena aqueles que se apiedam! Mata e tortura, não poupes; sê sobre eles!
  19. Essa estela eles chamarão de A Abominação da Desolação; contai bem este nome; & ele será para vós como 718.
  20. Por quê? Por causa da queda do Porquê, que ele não está lá novamente.
  21. Erga minha imagem no Leste: tu deverás comprar para ti uma imagem a qual eu irei mostrar-te, especial, não-diferente daquela que tu conheces. E será subitamente fácil para ti fazer isso.
  22. As outras imagens agrupa ao meu redor para me sustentar: que todas sejam adoradas, pois elas deverão juntar-se para me exaltar. Eu sou o objeto de adoração visível; os outros são secretos; para a Besta & sua Noiva eles são: e para os vencedores do Ordálio x. O que é isso? Tu saberás.
  23. Para fazer perfume mistura farinha & mel & espessas sobras de vinho tinto: então óleo de Abramelin e óleo de oliva, e mais tarde amolece e alisa com sangue fresco e saboroso.
  24. O melhor sangue é o da lua, mensal: depois o sangue fresco de uma criança, ou o gotejado da hóstia do céu: em seguida o dos inimigos; depois o do sacerdote ou dos adoradores: por último o de algum animal, não importa qual.
  25. Isso queimai: disso fazei bolos e comei para mim. Isso terá também um outro uso; que seja colocado diante de mim, e conservado espesso com perfumes de vossa devoção: deverá tornar-se cheio de besouros tanto quanto já o foi, e de coisas rastejantes sagradas para mim.
  26. Imolai esses nomeando vossos inimigos; & eles cairão perante vós.
  27. Eles também gerarão cobiça & poder de cobiça em vós à medida em que comerdes dali.
  28. Vós também sereis fortes na guerra.
  29. Ademais, sejam eles guardados por muito tempo, é melhor; pois eles incham com minha força. Tudo perante mim.
  30. Meu altar é de latão trabalhado: queimai sobre ele em prata ou ouro!
  31. Lá vem um rico homem do Oeste que derramará seu ouro sobre ti.
  32. Do ouro forjai aço!
  33. Estai prontos para fugir ou golpear!
  34. Mas vosso lugar sagrado permanecerá intocado através dos séculos: se bem que com o fogo e a espada ele seja queimado & destroçado, no entanto uma casa invisível lá permanecerá, e deverá permanecer até a queda do Grande Equinócio; quando Hrumachis erguer-se-á e aquele da dupla baqueta assumirá meu trono e lugar. Um outro profeta deverá erguer-se, e trazer febre fresca dos céus; uma outra mulher despertará a volúpia e a adoração da Serpente; uma outra alma de Deus e da besta misturar-se-á no sacerdote englobado, um outro sacrifício maculará a tumba; um outro rei deverá reinar; e a bênção não mais será derramada Ao místico Senhor da cabeça de Falcão.
  35. A metade da palavra de Heru-ra-ha, chamada Hoor-pa-kraat e Ra-Hoor-Khut.
  36. Então disse o profeta ao Deus:
  37. Eu te adoro na canção -
    Eu sou o Senhor de Tebas, e eu
    O inspirado pregador de Mentu;
    Para mim se desvela o velado céu,
    O auto-sacrificado Ankh-af-na-khonsu
    Cujas palavras são a verdade. Eu invoco, eu saúdo
    Tua presença, Ó Ra-Hoor-Khuit!
    A unidade máxima manifestada!
    Eu adoro a força de Teu sopro,
    Supremo e terrível Deus,
    Que fazes os deuses e a morte
    Tremerem diante de Ti:
    Eu, eu te adoro!Aparece sobre o trono de Ra!
    Abre os caminhos do Khu!
    Ilumina os caminhos do Ka!
    Os caminhos do Khabs atravessa
    Para excitar-me ou apaziguar-me!
    Aum! Que esse todo me preencha!
  38. Assim tua luz está em mim; & sua chama vermelha é como uma espada em minha mão a promover tua ordem. Há uma porta secreta que eu farei para estabelecer teu caminho em todos os quadrantes, (estas são as adorações, como tu havias escrito), conforme é dito:
    A luz é minha; seus raios consomem
    A mim: Eu fiz uma porta secreta
    Para dentro da Casa de Ra e Tum,
    De Kephra e de Ahathoor.
    Eu sou o teu Tebano, Ó Mentu,
    O profeta Ankh-af-na-khonsu!
    Por Bes-na-Maut no meu peito eu bato;
    Pelo sábio Ta-Nech meu feitiço eu teço.
    Mostra teu esplendor estrelado, Ó Nuit!
    Convida-me à tua Casa para morar,
    Ó alada serpente de luz, Hadit!
    Habita comigo, Ra-Hoor-Khuit!
  39. Tudo isso e um livro para dizer como tu fizeste para chegar até aqui e uma reprodução deste manuscrito para sempre - pois nele está a palavra secreta & não somente em Inglês - e teu comento a respeito do Livro da Lei deverá ser graciosamente impresso em tinta vermelha e preta sobre um belo papel feito à mão; e para cada homem e cada mulher que encontres, seja para jantar ou para beber com eles, esta é a Lei a dar. Então, isso é sem importância. Então eles se arriscarão a permanecer ou não nessa bem-aventurança. Faz isso rapidamente!
  40. Mas e o trabalho do comento? Isso é fácil; e Hadit ardendo em teu coração fará veloz e segura a tua pena.
  41. Estabelece em tua kaaba um escritório: tudo deve ser feito bem e profissionalmente.
  42. Os ordálios tu mesmo supervisionarás, salvo apenas os cegos. A ninguém recuses, mas tu deverás conhecer & destruir os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e eu sou poderoso para proteger meu servo. O sucesso é a tua prova: não argumentes, não convertas; não fales demasiado! Aqueles que procuram te emboscar, te derrubar, ataca-os sem piedade ou misericórdia; & destrói-os totalmente. Rápido como uma serpente pisada, volta e ataca! Sê mais mortífero que ele! Arrasta suas almas para um terrível tormento: escarnece do medo deles: cospe sobre eles!
  43. Que a Mulher Escarlate se acautele! Se a piedade e a compaixão e a ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu sacrificarei sua criança para mim: eu alienarei seu coração: eu a arremessarei para fora dos homens: como uma meretriz encolhida e desprezada, ela rastejará através das ruas escuras e úmidas, e morrerá gelada e faminta.
  44. Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela trabalhe a obra da perversidade! Que ela mate seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta de jóias, e ricos trajes, e que ela seja desavergonhada perante todos os homens!
  45. Então eu a elevarei aos pináculos do poder: então eu gerarei nela uma criança mais poderosa que todos os reis da terra. Eu a preencherei com júbilo: com minha força ela verá & golpeará na adoração de Nu: ela alcançará Hadit.
  46. Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarenta: os Oitenta encolhem-se perante mim, & são humilhados. Eu vos trarei a vitória e o júbilo: eu estarei em vossos braços na batalha & vos deliciareis em matar. O sucesso é a vossa prova; a coragem é a vossa armadura; avante, avante em minha força; & vós não retrocedereis por nada!
  47. Este livro deverá ser traduzido para todas as línguas; mas sempre com o original na escrita da Besta; pois na forma casual das letras e suas posições de uma para outra: nisso estão mistérios que nenhuma Besta adivinhará . Que ele não procure tentar; mas um virá após ele, de que lugar eu não digo, que descobrirá a Chave de tudo. Então esta linha traçada é uma chave: então este círculo enquadrado em sua falha é uma chave também. E Abrahadabra. Será a criança dele & isso estranhamente. Que ele não vá atrás disso; pois desse modo ele pode cair sozinho.
  48. Agora esse mistério das letras está feito, e eu quero seguir para o lugar mais sagrado.
  49. Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens.
  50. Amaldiçoai-os! Amaldiçoai-os! Amaldiçoai-os!
  51. Com minha cabeça de Falcão eu bico nos olhos de Jesus enquanto ele está pendurado no alto da cruz.
  52. Eu ruflo minhas asas na face de Maomé & o cego.
  53. Com minhas garras eu arranco fora a carne do Indiano e do Budista, do Mongol e do Din.
  54. Bahlasti! Ompehda! Eu cuspo em vossos credos crapulosos.
  55. Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!
  56. Também por causa da beleza e do amor!
  57. Desprezai também todos os covardes; os soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; a todos os tolos desprezai!
  58. Mas o audaz e o orgulhoso, o majestoso e o sublime; vós sois irmãos!
  59. Como irmãos lutai!
  60. Não existe lei além de Faze o que tu queres.
  61. Há um fim da palavra do Deus entronado no assento de Rá, iluminando as pilastras da alma.
  62. A Mim fazei reverência! a mim vinde através da tribulação do ordálio, que é felicidade.
  63. O tolo lê este Livro da Lei, e seu comento; & não o entende.
  64. Que ele passe através do primeiro ordálio, & será para ele como prata.
  65. Através do segundo, ouro.
  66. Através do terceiro, pedras de água preciosa.
  67. Através do quarto, derradeiras centelhas do fogo interno.
  68. No entanto para todos parecerá belo. Seus inimigos que não afirmam isso, são meros mentirosos.
  69. Existe o sucesso.
  70. Eu sou o Senhor da Cabeça de Falcão do Silêncio & da Força; minha nêmesis recobre o céu noturno.
  71. Salve! Vós guerreiros gêmeos dos pilares do mundo! pois vossa hora está quase à mão.
  72. Eu sou o Senhor da Dupla Baqueta de Poder; a baqueta da Força de Coph Nia - mas minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; & nada restou.
  73. Prendei as lâminas da direita para a esquerda e do topo para o fundo: então contemplai!
  74. Há um esplendor em meu nome escondido e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.
  75. O fim das palavras é a Palavra Abrahadabra.

O Livro da Lei está Escrito
E oculto

Aum. Ha.

O Comento

Faze o que tu queres será o todo da Lei.

O estudo deste Livro é proibido. É sábio destruir esta cópia depois da primeira leitura.

Quem quiser desrespeitar isso, o faz para seu próprio risco e perigo. Estes são dos mais terríveis.

Aqueles que discutem os conteúdos deste Livro deverão ser evitados por todos como centros de pestilência.

Todas as questões da Lei são para serem decididas apenas por apelos aos meus escritos, cada pessoa por si mesma.

Não existe lei além de Faze o que tu queres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

O sacerdote dos príncipes,

ANKH-F-N-KHONSU

Original

Para ler o texto original em Inglês e com o fac-símile das páginas escritas por Crowley, clique aqui.

 

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